Oposição e situação travam batalha sobre requerimento convidando Dilma para vir ao Acre

Um requerimento do deputado estadual Wherles Rocha (PSDB) convidando a presidente Dilma Rousseff para vir ao Acre foi tema do debate entre oposição e situação na sessão de ontem da Assembleia Legislativa (Aleac). Depois de muitas discussões, o pedido foi rejeitado, por 13 votos a 7.

 O segundo-secretário da Aleac, deputado estadual Luis Tchê (PDT), chegou a pedir que Wherles Rocha retirasse o requerimento da pauta de votação. Para ele, a elaboração de um ofício, assinado pelos 24 parlamentares, seria a melhor forma de convidar a presidente Dilma a vir ao Acre.

“Seria um gesto de grandeza e elegância desta Casa, se esse ofício fosse retirado. Poderíamos elaborar um ofício com a assinatura de todos os parlamentares. Precisamos de gestos que possam beneficiar nossa população. Não é agindo dessa forma que vamos resolver os problemas do nosso povo”, disse.

 Autor do requerimento, o deputado Wherles Rocha lembrou que seu pedido tem como objetivo sensibilizar a presidente Dilma. Para ele, se ela viesse ao Acre para conhecer de perto a realidade dos municípios após a enchente, seria mais fácil a liberação de ajuda para a reconstrução das áreas atingidas.

“O problema que estamos atravessando é grave, precisamos pedir ajuda. Queria que a Dilma olhasse de perto o sofrimento das famílias. Lamento que esse Parlamento se coloque contra o interesse do povo acreano. Não estou querendo aqui a visita da presidente do PT, mas da presidente do Brasil, que pode nos ajudar muito”, desabafou.

 Os deputados Chagas Romão e Antônia Sales, ambos do PMDB, defenderam o requerimento de Wherles Rocha, afirmando que seria um gesto normal de uma presidente, pois os prejuízos para a população acreana foram muitos.

 Já parlamentares da base de apoio do governo na Aleac, classificaram como “politiqueira” a proposta de Wherles Rocha. O deputado Edvaldo Souza (PSDC) fez questão de elogiar a postura do tucano, mas disse que o documento foi apresentado de maneira errada.

“Sou favorável à elaboração de um documento pela Mesa Diretora, assinado por todos os deputados, com ajuda da Unale. Não sei se a presidente teria muita coisa a fazer aqui no Acre. muito já foi feito. Existem problemas que podem ser resolvidos sem a presença dela aqui”, disse.

“A Dilma está ajudando o Acre”, diz Ney Amorim

 O primeiro-secretário da Aleac, deputado Ney Amorim, fez questão de lembrar que a presidente Dilma Rousseff solicitou a vinda de dois ministros ao Acre para trazer ajuda e verificar de perto os prejuízos com a enchente.

“A presidente Dilma sabe da nossa realidade, tem conhecimento de tudo que está acontecendo, prova disso é que enviou dois ministros ao Acre para ver de perto tudo que está acontecendo. Se ainda não veio ao nosso Estado, não quer dizer que não se preocupa com nosso povo. Ela tanto se preocupa que logo liberou recursos”, afirmou.

 Ney Amorim disse que era contra o requerimento por considerar que os gestos devem ser coletivos e não individuais. “Não precisamos de super-heróis. Precisamos de gestos de grandeza do nosso Poder e não de gestos isolados”, concluiu.

 O parlamentar elogiou a dedicação e o empenho do governador Tião Viana para ajudar as famílias que ficaram desabrigadas e disse que o Governo Federal tem sido parceiro importante nas ações para a reconstrução das áreas atingidas.

Moisés pede para Mesa Diretora descontar um dia de trabalho do seu salário

“Autorizo e peço a Mesa Diretora a descontar um dia trabalho do meu salário. Nunca essa Casa viu o que está acontecendo aqui hoje, com a exposição de deputados. Não mereço receber por esse dia de trabalho. Isso não se resolve dessa forma”, disse.

 Reprovando a atitude de Wherles Rocha, o parlamentar lamentou a forma como o requerimento foi apresentado e disse que a melhor saída seria mesmo um convite oficial feito pela Assembleia Legislativa.

“Se o Rocha quer mesmo fazer o convite à presidente Dilma, então retire o requerimento e vamos elaborar um documento oficial da Mesa para que possamos enviar à Presidência da República”, destacou.

 

Assuntos desta notícia

Join the Conversation