Mudem O Bolsa!

 O Bolsa Família que deveria ajudar as pessoas por um período de suas vidas está sendo um entrave para muitos trabalhadores voltarem ao mercado de trabalho.
Não. Não é porque a Bolsa Família estimula o comodismo ou a ociosidade. Na realidade o Bolsa família, do jeito que está sendo pago, com os atuais requisitos, desestimula as pessoas a trabalharem com carteira assinada.

 Podem fazer parte do Programa Bolsa Família as famílias com renda mensal de até R$ 140,00 (cento e quarenta reais) por pessoa devidamente cadastradas no Cadastro Único para Programas Sociais (CadÚnico).

 Atualmente a renda da família é calculada a partir da soma do dinheiro que todas as pessoas da casa ganham por mês (como salários e aposentadorias). Esse valor deve ser dividido pelo número de pessoas que vivem na casa, obtendo assim a renda per capita da família.

 As famílias que possuem renda mensal per capita entre R$ 70,01 e R$ 140,00, só ingressam no Programa se possuírem crianças ou adolescentes de 0 a 17 anos. Já as famílias com renda mensal de até R$ 70,00 por pessoa, podem participar do Bolsa Família não importando qual  a idade dos seus membros.

 Os trabalhadores que recebem Bolsa Família não podem aumentar sua renda com a carteira assinada porque perdem o benefício.

 O benefício sozinho é insuficiente, mas seria de grande ajuda na complementação da renda familiar.

 Por outro lado, empresários e pessoas físicas não querem contratar sem assinar a carteira para não correrem o risco de serem penalizadas. Obviamente que existem aí os que querem “se dar bem” e, com essa situação, contratam sem carteira assinada.

 Isso tudo está desestimulando a contratação. Da mesma forma que está induzindo esses beneficiários a ficarem em casa. Afinal, é duro trabalhar 8 horas por dia, pegar ônibus, largar os filhos na casa da vizinha (pagando em torno de R$ 150,00 a R$ 200,00) e só ganhar R$ 622,00 brutos por mês!

Nosso modelo de Bolsa precisa ser mudado.

 O filme “Estranha magia” que conta a história de vida de Joanne Kathleen Rowling, conhecida como J. K. Rowling, a escritora  britânica, autora dos sete livros da famosa e premiada série Harry Potter, conta que antes da fama a pobreza tomou conta dela. Com uma filha pequena e sem poder trabalhar, Joanne caiu nas garras da depressão. Ela e a filha se mudaram para um pequeno prédio, onde vivia com a ajuda do governo, mas ela se sentia humilhada por estar naquela dependência financeira. Procurou um trabalho e o salário desse trabalho junto com o bolsa seria suficiente. Mas no momento em que ela conseguiu o trabalho o seu benefício foi cortado e ela continuou sem dinheiro suficiente para se sustentar.

 Eu entendo que R$ 140,00 per capita são insuficientes para comer, vestir e calçar com dignidade uma criança, um adolescentes ou um adulto da mesma forma que um salário mínimo é insuficiente para uma família com cinco pessoas passarem o mês.

Não tirem O Bolsa! Mudem O Bolsa para estimular ainda mais o trabalho!
 
Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
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