Inversão

Essa é uma semana vital para a Zona de Processamento de Exportação do Acre. A expectativa do governo do Acre é que até sexta-feira a superintendência da Receita Federal em Belém carimbe o documento que permite o início das operações do empreendimento. Feito isso, a ZPE estará praticamente alfandegada.

 Tudo o que era preciso o Governo do Acre fazer, foi feito. Toda a burocracia, papelada, vai e vêm de carimbos, relatórios, homologações, credenciamentos… os cambau. Tecnicamente, o filhote está lá, no Quinari: nascido do chão.

 Feito isso, outra parte do processo se intensifica. A secretaria de Desenvolvimento Florestal, Indústria, Comércio e Serviços Sustentáveis afirma que 32 empresas já mandaram cartas de intenção para se instalar na ZPE.

 Mas, dessas, apenas 12 iniciaram a elaboração dos planos de negócios. Dessas 12, somente 7 estão praticamente prontas para serem avaliadas pelo Conselho das Zonas de Processamento de Exportação que avaliza a instalação ou não do empreendimento.

 Há, nas ruas, bares, corredores de órgãos públicos, pontos de taxi muita gente ainda descrente da viabilidade do projeto. Há até empresários que não acreditam. Eis um ponto que merece reflexão. Empresário é gente que, em tese, deveria estar acostumada a arriscar. Mas, há algumas coisas que só acontecem pelos barrancos daqui.

 Exemplifico: enquanto há alguns empresários que não acreditam na viabilidade do projeto, o próprio governador Tião Viana articula a vinda da Johnson& Johnson para a ZPE, acompanhado do secretário de Desenvolvimento Florestal, Indústria, Comércio e Serviços Sustentáveis, Edvaldo Magalhães, e do sub-secretário da pasta, Fábio Vaz.

 O que incomoda não é a importação da esperança em forma de um padrão de vida que nada tem a ver com a nossa cultura. O que incomoda mesmo é saber que nos barrancos daqui, a inquietude, a não-acomodação, a vontade de empreender parecem fazer mais parte da rotina do poder público do que da iniciativa privada.

 A ZPE está lá em Senador Guiomard, montada, com software instalado, balança eletrônica pronta, câmeras e sistema de monitoramento já atuando e ainda há empresários que não acreditam no projeto.
A ZPE do Acre pode dar errado? É claro que pode! Assim como o projeto do Complexo de Piscicultura e tantos outros que poderão surgir. Para formular projetos de desenvolvimento regional, sobretudo em uma região como a nossa, o ceticismo e a desconfiança são necessários, sim. Mas, devem ser calculados.

 Quando empresários, antes de qualquer iniciativa, se escoram no “não vai dar certo” para encobrir o medo de arriscar, aí sobra pouco espaço para crescer. Nenhum lugar concretiza crescimento econômico real com o poder público protagonizando tudo. O agente de destaque deve ser as empresas. Sem elas, os governos morrem. Nanicos. Mas, muito de nós estamos precisando ouvir o óbvio para poder efetivar uma mudança de postura igualmente óbvia.

*ITAAN ARRUDA
 

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