Errados somos nós

À primeira vista, elas podem parecer um tanto “antipáticas”, inoportunas ou autoritárias. Mas há assuntos que não permitem mesmo flexibilização. E salvar vidas, por motivos óbvios, é um deles.  Cada vez mais bem organizadas e rotineiras, as blitzen no trânsito de Rio Branco vêm ganhando força, fama e, claro (faz parte…), também alguns “desafetos”.

É incrível. Por mais óbvios e nobres que sejam os propósitos da ação, sempre existem aqueles “do contra”, com mil argumentos pré-fabricados e, na maioria das vezes, carregados de preconceitos, para criticar, condenar e, o que é pior, atrapalhar o trabalho dos outros.

Uns são mais diretos e assumem logo que não gostam porque é “um saco” ter que pegar um táxi ou uma carona para ir à balada. Outros se defendem com aquele velho senso comum de que uma bebidinha não faz mal a ninguém, que cada um tem que saber o seu próprio limite e tal… E há ainda aqueles “politizados”, que argumentam que são contra as blitzen porque elas alimentam a indústria de multas, que só servem para dar dinheiro a um sistema corrupto e não sei mais o quê.

Está certo. Às vezes, é mesmo chato e inconveniente deixar o nosso carrinho na garagem e ter que se organizar para sair de casa de táxi, van ou carona. Verdade também que algumas pessoas são mais prudentes do que outras e respeitam o limite imposto pela lei. E, ok, não somos ingênuos, sabemos que corrupção pode existir em todo lugar.

Mas fazer o quê??? Vamos nos tornar incorretos por causa disso? É preferível correr o risco de matar ou morrer?

Vejo, nas redes sociais, perfis e “fóruns de discussão” criados para avisar os locais onde podem estar os policiais de trânsito, nas madrugadas dos finais de semana. Francamente, um desserviço de utilidade pública. É a velha “esperteza” alimentando a inconsequência e a malandragem, no país da impunidade.

Não quero, aqui, alimentar a hipocrisia ou o moralismo… Apesar da fiscalização, a verdade é que maioria de nós ainda dirige ou já dirigiu bêbado. E, na maioria dessas vezes, pegamos o volante com a convicção de que estamos “ótimos” e de que nenhum mal nunca vai nos acontecer. No entanto, as estatísticas e as manchetes dos jornais provam o contrário. E é, então, que precisamos ser justos, conscientes e sensatos: não são as blitzen que estão erradas ou exageradas. Somos nós mesmos que precisamos mudar.

* Maíra Martinello é jornalista. [email protected]

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