Já vai tarde

Acertada e prudente a determinação do Ministério Público Estadual em pedir a transferência de Hildebrando Pascoal para um presídio de segurança máxima fora do Estado. O que já era óbvio ficou ainda mais explícito, após o recente episódio da divulgação das cartas (escritas ou ditadas por ele): o ex-coronel é, sim, um preso de alta periculosidade e, apesar das condenações a mais de 100 anos de prisão e do tempo que já cumpriu de pena, continua representando perigo aqueles que, de alguma forma, atravessaram “mal” o seu caminho.

 Esta semana, o MP concluirá o inquérito que apura o caso das cartas, e a decisão sobre a transferência caberá a um juiz. De antemão, o procurador de Justiça, Sammy Barbosa, que coordena o Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado e, no passado, acompanhou de perto as atrocidades e a desarticulação dos grupos de extermínio no Acre, foi assertivo ao explicitar as razões pelas quais Hildebrando não pode permanecer no Estado:
“Uma pessoa que está com mais de cem anos de condenação por liderar a maior organização criminosa que já existiu no Acre, que tirava cabeça de gente e serrava gente viva, que cometeu crimes bárbaros, crimes hediondos, crimes covardes… Um indivíduo desses que, mesmo dentro de um presídio de segurança máxima, consegue mandar cartas ameaçadoras para duas autoridades não tem mais condições de ficar no Estado do Acre, nesse presídio”. E completa: “Quem consegue sair com uma carta para ameaçar as mais altas autoridades jurídicas do Estado tem condições de mandar uma carta mandando executá-las também.”.

 Disse tudo. Ao contrário do que alguns ainda podem pensar ou, por motivos espúrios, querem fazer parecer, Hildebrando Pascoal não virou um “coitadinho”. E, tampouco, deve ser tratado como um “preso político” (que marmota é essa agora??).

 Basta analisar com um pouco de minúcia o conteúdo destas suas últimas correspondências. Meticuloso e calculista, ele intimida e, de forma, velada, mas incisiva, manda seu recado, sempre ameaçador.
O fato é: ele não mudou. Mais de 10 anos após ter sido preso, o “homem da motosserra” volta a instalar um clima de medo e de insegurança, apoiado na sua muito bem construída (e verídica) fama de “mal” e nas fragilidades do nosso sistema penitenciário.

O que se espera agora da Justiça é uma decisão lúcida e coerente, que possa garantir tranquilidade, paz e, principalmente, a segurança das pessoas de bem.

*Maíra Martinello é jornalista.

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