Luz não é poeira

Meus pais sempre me disseram que para ter no futuro era preciso economizar no presente.

Sou “economista” de berço. Economizo em tudo. No supermercado, nas roupas, nos produtos de limpeza mas, infelizmente, na energia elétrica não consigo. Nem eu e nem ninguém! Quanto mais economizamos no consumo da luz mais aumenta a nossa conta, mais se gasta com esse serviço essencial.

Em fevereiro de 2001 eu consumia 845 Kwh/mês. Tinha e usava dois chuveiros elétricos, estocava carne no freezer e não desligava a geladeira hora nenhuma do dia.
O valor do KWh em fevereiro de 2001 era de  20514 e paguei pelo consumo de 845 Kwh, mais a  taxa de iluminação pública, o valor total de R$ 183,41.

Hoje em dia, em janeiro de 2012, já não tenho mais os chuveiros elétricos, meu freezer acumula poeira e a geladeira é desligada toda noite, meu consumo caiu para 593 Kwh. Hoje o Kwh é de 0,566201 e o valor da fatura é de R$ 357,95!

Diminui em 42% o meu consumo, ao longo dos anos, ao mesmo tempo em que  aumentou em 95% a conta de luz!

Você leitor, que guarda suas contas de luz, vá lá nos seus arquivos e pegue suas contas de 2001 e verifique as diferenças para as contas de hoje.

Nós tivemos, na última década, 170% de aumento no preço do kWh! 170%! A inflação neste período foi de 63,01%.

Por se tratar de um serviço essencial, esses aumentos são abusivos e ferem a ordem econômica.

No Código de Defesa do Consumidor, o CDC, CAPÍTULO II – Da Política Nacional de Relações de Consumo em seu Art. 4°, diz o seguinte: A Política Nacional de Relações de Consumo tem por objetivo o atendimento das necessidades dos consumidores, o respeito a sua dignidade, saúde e segurança, a proteção de seus interesses econômicos, a melhoria da sua qualidade de vida, bem como a transparência e harmonia das relações de consumo.

O preço da luz aumentou muito e o que antes não preocupava ninguém hoje tira o sono de muita gente.

A chiadeira é geral. Da empregada doméstica que ganha um salário mínimo ao empresário que gera emprego e renda e que precisa de energia para tocar o seu negócio.

A questão da energia elétrica não pode ser empurrada para debaixo do tapete como se fosse uma poeirinha. É preciso debater, é preciso comentar, é preciso tomar uma posição.

Entidades da sociedade civil organizada já estão se movimentando e estão estudando mais a fundo essa questão. O que não dá é para aceitar calados uma situação que já está se tornando insuportável.

Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
[email protected]

Assuntos desta notícia

Join the Conversation