Anencefalia e aborto

Há vários problemas e patologias que podem ser identificados e prevenidos ainda na gravidez, e dentre eles estão o fato da suplementação vitamínica com o ácido fólico que constitui uma das possibilidades de prevenção de malformações fetais graves, principalmente dos Defeitos do Tubo Neural (DTN).

A literatura indica que entre as anomalias congênitas do sistema nervoso central, os Defeitos do Tubo Neural (DTN) e as hidrocefalias, são as mais frequentes.

O tubo neural é uma estrutura do embrião precursora do cérebro e da medula espinhal e funciona como o sistema nervoso primitivo do feto. O fechamento deste tubo é essencial para formar a calota craniana e coluna vertebral do bebê.

A Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia – Febrasgo assevera que 50% dos fetos anencéfalos apresenta parada dos batimentos cardíacos ainda no útero da mãe e morrem antes mesmo do nascimento.

Quando nascem ainda vivos esses bebês possuem expectativa de vida bastante curta, muito embora não seja possível estabelecer com precisão o tempo de vida que terão fora do útero.

Alguns autores acreditam que um recém-nascido com anencefalia geralmente é cego, surdo, inconsciente e incapaz de sentir dor.

DIAGNÓSTICO
A partir das 12 semanas de gestação a anomalia pode ser diag-nosticada, através de um exame de ultra-sonografia, quando já é possível visualizar o segmento cefálico fetal. O exame é baseado na ausência do cérebro e da calota craniana.

Em alguns casos a anencefalia nem chega a ser diagnosticada, pois o feto evolui para aborto espontâneo. Em outros casos, a doença é diag-nosticada apenas durante o parto, os quais geralmente ocorrem, principalmente em mulheres que não têm acesso ao pré-natal.

PREVENÇÃO
A prevenção mais indicada é a ingestão de ácido fólico antes e durante a gestação. O ácido fólico é uma vitamina do complexo B cuja ingestão deve começar ainda no planejamento da gravidez. Sua importância foi descoberta há cerca de 70 anos, quando foi verificado que a anemia gestacional podia ser tratada com extrato de levedura.

O ácido fólico é encontrado nas folhas do espinafre, no feijão branco ou vermelho cozido, aspargos, verduras de folhas escuras, couve de bruxelas, soja e derivados, laranja, melão, maçã, brócolis, gema de ovo, fígado, peixes, gérmen de trigo, salsinha, beterraba crua, repolho cru e amendoim.

Contudo, essas quantidades não são suficientes para suprir as necessidades da mulher que deseja engravidar.

INTERRUPÇÃO DA GRAVIDEZ
Também conhecida como aborto terapêutico, a interrupção da gravidez é permitida em casos de anencefalia em diversos países.

Em 2012 o Brasil autorizou a rea-lização do aborto terapêutico para fetos com anencefalia. Até então, grávidas com fetos anencefálicos precisavam de autorização judicial para realizar o aborto.

Notícia publicada no último dia 15 de abril, no Jornal Cruzeiro do Sul dá conta de que o Supremo Tribunal Federal (STF) excluiu a interrupção da gravidez de fetos anencéfalos dos casos tipificados como aborto pelo Código Penal, ou seja, agora a mulher grávida de um feto anencéfalo poderá decidir livremente, conforme sua consciência e estrutura emocional, se deseja ou não levar a gravidez adiante.

Vale acrescentar que o procedimento poderá ser incluído entre as ações regulares dos serviços de saúde, sem que disso decorra a res-ponsabilização criminal dos profissio-nais envolvidos.

ATENÇÃO!
Considerando a necessidade de suplementação de acido fólico durante a gestação, os especialistas da área sugerem como importante medida, o aconselhamento para iniciar-se a ingestão de suplemento dessa vitamina para as mulheres que planejam engravidar, e o reforço da importância da sua indicação nas consultas médicas pré-concepcionais e de pré-natal.

É responsabilidade dos profissio-nais e das sociedades que os representam, divulgarem junto à população a importância da suple-mentação de ácido fólico para mulheres em idade fértil já que, só com a conscientização e participação ativa destes é que se conseguirá colaborar ainda mais para que sejam reduzidos os problemas na formação do tubo neural ocasionadas pela deficiência do acido fólico no organismo.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Consultora Editorial da Revista Brasileira em Promoção da Saúde da UNIFOR e Revista de Saúde.Com., da UESB. Bacharel em Direito.

** Iara Soares Cordeiro é graduada em Enfermagem pela Universidade Federal do Acre/Ufac. Atualmente é enfermeira da Secretaria Municipal de Saúde – Semsa, de Rio Branco/Acre. É especialista em Educação e Saúde e em Saúde da Família. Bacharel em Direito.

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