Leishmaniose cutânea: a transmissão ocorre pela picada de pequenos mosquitos que se alimentam de sangue

A leishmaniose se caracterizada por um conjunto de doenças (as Leishmanioses), causada por proto-zoários flagelados do gênero Leish-mania, da família dos Trypanoso-matidae, cuja transmissão ocorre através da picada de um inseto fêmea, o flebótomo do gênero Lutzomyia.  Sua transmissão se dá através de pequenos mosquitos que se alimentam de sangue.

No Brasil os insetos são chamados segundo sua localização geográfica de: mosquito-palha, birigui, cangalhinha, asa-branca, asa-dura e beberê. São mais comumente encontrados em locais úmidos, escuros, com muitas plantas e movem-se por meio de vôos curtos e saltitantes.

Estes phlebotomus (insetos que chupam sangue) pertencem ao mesmo grupo das moscas, mosquitos e borrachudos. As fêmeas necessitam de sangue para o amadurecimento dos ovos, só elas sugam o sangue e, portanto só ela podem transmitir a doença. Já os insetos machos se nutrem com seiva vegetal.

Os mosquitos podem não ser percebidos por que eles não fazem barulho ao voar. Além disso, eles são pequenos e suas picadas podem não ser notadas.

O período de incubação doença conforme assevera Andrade et al (2005) pode oscilar entre 10 dias e três meses, no momento e quem surge uma pápula eritematosa que progride lentamente para nódulo, antes da ulceração propriamente dita.

PROBLEMA DE SAÚDE PÚBLICA
As leishimanioses são consideradas um grande problema de saúde pública e de acordo com estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), 350 milhões de pessoas estão expostas ao risco, havendo ao ano, o registro aproximado de dois milhões de novos casos das diferentes formas clínicas.
Segundo o Ministério da Saúde (MS) no Brasil, em 1909 Lindenberg encontrou as leishimânias em úlceras cutâneas e nasobucofaríngeas em indivíduoas que trabalhavam nas áreas de desmatamentos. Em 1911, foi diagnosticada por Splendore a forma mucosa da doença.

TIPOS
Esta doença pode se manifestar de duas formas: a) leishmaniose tegu-mentar ou cutânea (que acomete a pele e as mucosas) e b) leishmaniose visceral ou calazar (que acomete os órgãos internos), sendo que esta última é considerada a forma mais severa de leishmaniose. 

LEISHMANIOSE CUTÂNEA
No que se refere à leishmaniose cutânea de acordo com o MS (2007), esta se apresenta sob as seguintes formas:
Forma cutânea localizada – A lesão é geralmente do tipo úlcera, podendo ser única ou múltipla. Representa o acometimento primário da pele, com tendência a cura espontânea e apresenta boa resposta ao tratamento.
Forma cutânea disseminada – É caracterizada pelo aparecimento de múltiplas lesões papulares e de aparência acneiforme que acometem vários seguimentos corporais envolvendo geralmente o tronco e o rosto.
Forma recidiva cútis – Evolui com cicatrização espontânea ou medicamentosa da úlcera, com reativação localizada geralmente na borda da lesão, sendo a resposta terapêutica é pobre ou ausente.
Forma cutânea difusa – Inicia-se de forma insidiosa, com lesão única e má resposta ao tratamento. Evolui de forma lenta com formação de placas e múltiplas nodulações não ulceradas recobrindo grandes extensões cutâneas.

SINTOMAS
Após a picada do inseto os parasitas se multiplicam no local dando origem a uma mancha aver-melhada ou a um nódulo (endurecimento local) formando uma ferida de bordas elevadas.
As lesões que são tipicamente localizadas em áreas expostas (face e extremidades) podem permanecer por anos ou semanas e geralmente deixam uma cicatriz permanente. As lesões também podem vir acompanhadas de gânglios aumentados (ínguas), com ou sem exsudação.

MEDIDAS PREVENTIVAS
Conforme indica Araguaia (2012), para prevenir a doença devem-se tomar os seguintes cuidados:
– Quando estiver em ambiente de mata, usar repelente e roupas adequadas;
– Em casos de feridas de difícil cicatrização, visitar o médico;
– Destinar adequadamente o lixo;
– Usar tela de proteção nas aberturas;
– Evitar animais domésticos com feridas características;
Outros autores acrescentam que a prevenção também inclui: Evitar contato com os vetores nos horários de maior atividade dos insetos, ou seja, ao raiar e cair do dia.

DIAGNÓSTICO
Andrade et al (2005) indicam que o Diagnóstico Clínico baseia-se nas características das lesões associada aos dados epidemiológicos do paciente (pacientes de as áreas endêmicas ou que lá estiveram). Considerando o polimorfismo das lesões, para o diagnóstico correto, devem ser excluídas dentre outras, as úlceras traumáticas, as de estase venosa, as de membros inferiores decorrentes de anemia falciforme, piodermites, sífilis, neoplasias cutâneas, tuberculose cutânea e hanseníase virchowiana.
Quanto ao Diagnóstico Labo-ratorial, este é feito através do exame direto de esfregaços e impressão por aposição da análise histo-patológica das lesões, de testes sorológicos e ou do teste cutâneo com antígenos de leishmania (rea-ção de Montenegro).

TRATAMENTO
Os antimoniais pentavalentes são indicados para o tratamento de todas as formas de leishmaniose tegumentar. Mas, por apresentarem respostas mais lentas e maior possibilidade de recidivas, autores asseveram que as formas mucosa e mucocutânea exigem maior cuidado.
Nos casos de lesões cutâneas a medicação na dosagem recomendada pela OMS, deverá ser usada por um período de 20 dias consecutivos.
Caso a cicatrização não se complete após 12 semanas do término do tratamento, o esquema poderá ser repetido apenas uma vez.
Se não houver resposta satisfatória com o tratamento pelos antimoniais pentavalentes, poderão ser utilizadas as drogas de segunda escolha.

IMPORTANTE!
Conforme sugere Oliveira (2012) as medidas clínicas incluem o diagnóstico precoce e também o tratamento. Assim sendo, o autor recomenda a toda pessoa que apresentar ferida de difícil cicatrização procurar auxílio médico, para a realização de exame específico e, sendo o caso, iniciar tratamento.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Consultora Editorial da Revista Brasileira em Promoção da Saúde da UNIFOR e Revista de Saúde.Com., da UESB.

Assuntos desta notícia

Join the Conversation