Política nacional 25/04/2012

“Queremos produzir uma investigação séria”.

Deputado Odair Cunha (PT-MG), ao ser indicado relator da CPI mista do Cachoeira.

PMDB admite convocar Lula para blindar Cabral
A cúpula do PMDB no Senado subiu o tom e, nos bastidores, já ameaça convocar o ex-presidente Lula a se explicar caso o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, seja chamado a depor na CPI mista que investigará os esquemas do bicheiro Carlos Cachoeira. Lula é suspeito de aceitar suposta doação de R$ 1 milhão do contraventor, para sua campanha de 2002, em troca da legalização dos bingos.

Blindagem
Temendo virar alvo de adversá-rios na CPI, devido ao aumento de contratos com a Delta no Rio, Sergio Cabral pediu apoio ao PMDB.

Fogo amicíssimo
Foi Rogério Buratti, amigo e assessor do ex-ministro Antonio Palocci, quem revelou a doação de Cachoeira ao caixa 2 da campanha de Lula.

Vigilância social
Para o senador Cássio Cunha Lima (PSDB-PB), só as redes sociais podem impedir que a CPI do Cachoeira acabe em pizza.

Vagas cedidas
O PMDB cedeu vagas na CPI para os senadores Ciro Nogueira (PP-PI) e Paulo Davim (PV-RN) e Benedito de Lira (PP-AL) será suplente.

Delegados reclamam
Duas associações de delegados da Policia Federal (ADPF e Adepol) protestaram ontem contra a “postura tímida” do Conselho Nacional do Ministério Público na investigação de grampos telefônicos da Operação Monte Carlos onde o senador Demóstenes Torres (GO) é solicitado a interferir junto ao irmão, Benedito Torres Neto, procurador-geral de Justiça. O CNMP informou que o corregedor nacional do MP instaurou apuração e aguarda a defesa dos acusados, que têm prazo para isso.

Violação do dever
Para o corregedor nacional do MP, Jeferson Coelho, se verdadeiras, as condutas podem configurar violações aos deveres funcionais.

Impedimento
O conselheiro Tito Amaral, do MP-GO, declarou-se impedido de atuar em processos contra Demóstenes e o irmão, por ser amigo de ambos.

Referências
Além do senador e do seu irmão Benedito Torres Neto, o nome do promotor Alencar José Vital também é citado nos grampos da PF.

Dilma prestigia Agnelo
A destinação de R$ 2,2 bilhões do PAC da Mobilidade para Brasília foi recebida nos meios políticos como sinal de que o governo Dilma está longe de abandonar o governador Agnelo Queiroz (PT) à própria sorte. Mais que isso, tanta dinheirama leva o maior jeitão de prestígio.

Velhas pistas
Para sair do lugar, a CPI do Cachoeira terá de retomar pistas da CPI dos Bingos, como uma conta no MTB Bank, em Nova York, investigada pelo promotor de Manhattan Roberto Morgenthau, hoje aposentado.

Cortina de fumaça
O vocabulário limitado dos surfistas que fumam maconha no Arpoador, no Rio, agora inclui “FHC”, em vez de THC, para designar o composto químico da Cannabis. Mas os “brôs” não sabem distinguir um do outro.  

La vie en rose
Se há embaixadores comendo o pão que o diabo amassou nos confins da África, outros não se queixam, como nosso embaixador em Saint Kitts and Nevis, duas ilhotas de 51 mil moradores, no Caribe. Sua casa à beira de um penhasco virou ponto de atração para turistas brasileiros.

Elite colorida
Ex-reitor da Universidade de Brasília, o senador Cristovam Buarque (PDT-DF) defende o sistema de cotas para negros, que deve ser julgada hoje no Supremo: “Precisamos colorir a cara da elite brasileira”.

Voo do crioulo doido
Após comprar a Webjet, a GOL continua fazendo pouco da lógica de exploração do cliente. Quem viaja hoje (25) de Porto Alegre ao Rio de Janeiro pela Webjet (voo WH 5716) pagará R$ 329,99, mas pela GOL (voo G3 1279), mais ou menos à mesma hora (18h), pagará R$ 1.704.

Vida de morte
Os últimos posts do jornalista Décio de Sá em seu blog, segunda (23) – quando foi morto a tiros na orla de São Luís (MA) -, mostram prisão de dois assessores do Tribunal de Justiça num caso de extorsão, e da morte de líder comunitário por pistoleiros, a mando de um empresário.

Direto do Canadá
O governador-geral canadense, David Johnston, fez questão de encontrar Luiza, que estava no Canadá, em sua visita ontem ao Brasil. Ele agradeceu “o bom nome que ela fez do país”.

Pensando bem…
…em vez de Cachoeira, é a CPMI do Alfabeto: vai de A a Z.

PODER SEM PUDOR
O pistolão certo
Dono de um dos melhores textos da imprensa brasileira em todos os tempos, o jornalista Mauro Santayana acabara de ser nomeado adido cultural à embaixada do Brasil em Roma, nos anos 80. Um belo cargo, no Palácio Doria Pamphilij, sede da nossa embaixada na Piazza Navona, centro de Roma. Um amigo o encontrou e foi logo gozando:
– Puxa, esse é o emprego que pedi a Deus!…
O jornalista respondeu na bucha:
– Acho que você pediu ao cara errado. Quem me nomeou foi o presidente José Sarney.

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