CPRM entrega a Angelim o Modelo de Gestão do Aquífero Rio Branco

A Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM) repassou nesta quinta-feira, 12, ao prefeito Raimundo Angelim o Modelo de Gestão do Aquífero Rio Branco, localizado no Segundo Distrito da capital.
Aquifero 2
O aquífero abrange área de 122,4 quilômetros, ocorrendo entre 2 a 10 metros de profundidade com espessura variando entre 1 a 8 metros e capacidade para abastecer 812 mil pessoas com 200 litros de água por dia ao longo de um ano. “O trabalho de seis anos chegou a um resultado promissor”, disse o prefeito ao receber o modelo e a prestação de contas das pesquisas que se iniciaram em 2006. Os documentos foram apresentados pelo geólogo Homero Reis Melo Júnior, coordenador do estudo.

O evento reuniu lideranças comunitárias como o presidente da União das Associações de Moradores de Rio Branco (Umarb) Gilson Albuquerque e a dirigente da Associações de Moradores do Amapá, Terezinha Santana; além do secretário municipal de Gestão e Desenvolvimento Urbano, José Otávio; o secretário estadual de Obras Públicas, Wolvenar Camargo, e o diretor do Depasa Rio Branco, Felismar Mesquita. “O modelo de gestão traça linhas gerais para a exploração racional do aquífero”, explicou Otávio.

De acordo com o estudo da CPRM,  o qual irá  subsidiar o Plano Diretor de Rio Branco, a reserva reguladora ou a descarga do ARB foi calculada com base na área de ocorrência do aqüífero no período em que o rio Acre fica muito baixo em Rio Branco. A partir dessa medição, concluiu-se que o volume de água subterrânea possui capacidade para abastecer uma população de aproximadamente Para abastecer a totalidade da população de Rio Branco –e neste item a CPRM utilizou dados de 2009 do IBGE -com 200 litros diários per capita de água subterrânea  seriam necessários cerca de 170 poços com vazões individuais de 30 metros cúbicos por hora  e taxa diária de bombeamento de 12 horas. “No entanto, deve se considerar que, algumas regiões como no bairro Amapá ou na vila Acre, que possuem maior capacidade hídrica, podem ser instalados poços com vazões superiores a 50 m3/h”, aponta o relatório assinado também pelos especialistas  Sebastião Rosa, geólogo,  e Júlio Kunzler, engenheiro hidrológico. 

O mapeamento da vulnerabilidade do ARB concluiu que o aqüífero precisa de muitos cuidados para que não seja contaminado ou passe por uma exploração que o vá exaurir. Apesar do grande número de empresas que comercializam água em carros-pipa na cidade, apenas 3,5% do manancial está sendo prospectado atualmente.

Essa exploração abastece 20% da população de Rio Branco, a grande maioria moradora do Primeiro Distrito.  Há interesse do Governo do Estado em utilizar o aqüífero para abastecer a Cidade do Povo, complexo habitacional que começa  em breve a ser implantado no Segundo Distrito.

Apesar da relevância desse manancial, o modelo alerta que o  sistema de abastecimento superficial utilizado atualmente pela Saerb não pode nem deve ser substituído totalmente por sistemas individuais de abastecimento público através de poços tubulares. “O  ideal seria a combinação dos sistemas, com um aumento gradativo no número de poços tubulares profundos responsáveis pelo abastecimento”, sugere o estudo.

População máxima para uso do aqüífero só em cinqüenta anos
Os testes de bombeamento para detectar qualidade e volume de águal  foram realizados na vila da Amizade, na Estrada do Amapá e no ramal da Judia. Nos locais onde havia poços de monitoramento como no ramal da Judia  e na estrada do Amapá  foram realizados testes de aqüífero –confirmando que o  volume de 90% da recarga  do ARB possui capacidade para abastecer uma população de aproximadamente 812.000 habitantes durante um ano com 200 litros diário de água por pessoa. “Esta população corresponde a um crescimento demográfico de 53% da população de Rio Branco estimada para o ano de 2009,  sendo que, este índice deve ser atingido somente no ano de 2045, com uma taxa de crescimento demográfico decenal de 17%”, lembra a CPRM.

Recomenda-se que na área de ocorrência do aquífero Rio Branco (ARB), quando ocupado, as habitações não ultrapassem 50% de cada terreno ou lote, a fim, de não impermeabilizar a recarga direta do aquífero, que necessita de uma alta taxa de permeabilidade. Neste contexto seria mais eficaz a construção de habitações verticais, a fim de preservar estas características de ocupação e permeabilidade do terreno;

Água subterrânea alimenta rio Acre no período crítico
A cidade de Rio Branco sofre anualmente um déficit hídrico, entre os meses de maio a outubro, quando o nível do rio Acre diminui em média 3, 23 metros de acordo com as médias históricas analisadas entre os anos de 1971 a 2008. Neste período do ano o rio Acre é alimentado quase que unicamente pelo fluxo de base do ARB;
Os estudos geofísicos realizados identificaram uma maior espessura do ARB  nos bairros Amapá, vila da Amizade,  Belo Jardim II e em partes do conjunto Santo Afonso e do ramal da Judia. Nestes locais foram identificadas camadas de areia saturadas em água com espessuras que podem atingir 45 metros de profundidade.  “Este fato confere ao aquífero Rio Branco uma maior potencialidade para o abastecimento público da capital, a partir de poços tubulares instalados nestas regiões, com especial destaque para o bairro do Amapá”, aponta a CPRM.

Fluxo do aqüífero é em direção ao rio Acre
O quadro mostra que as águas do ARB correm (lentamente, centímetros em horas ou ao dia) para o rio Acre, confirmando a importância do aqüífero na reposição de águas do maior manancial abastecedouro da capital acreana. (Ascom PMRB)

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