Índios invadem sede da Funai e rendem funcionários

Indígenas de várias comunidades invadiram a sede da Fundação Nacional do Índio (Funai) , na manhã de hoje. Funcionários foram rendidos e não saíram da sede enquanto a Coordenadora Regional da Funai, Maria Evanizia, comparecesse na instituição e ouvisse as reivindicações. Eles pediam o cumprimento das leis por parte do Governo Federal através da Secretaria Nacional da Saúde Indígena (Sasai), além da demarcação de terras.
Índios rendem 2
Os índios reclamavam da falta de assistência e abandono das aldeias.“A assistência que o Estado nos dá não é adequada. É uma falta de compromisso e responsabilidade que o setor público. O primeiro ponto de reivindicação é a demarcação de terra. O outro é uma melhor saúde indígena. Tem comunidades que estão há 10 meses sem atendimento médico”, afirmou Francisco Siqueira, cacique da aldeia Apolina Arara, em Marechal Thaumaturgo.

De acordo com Ninawá Runiki, um dos líderes do movimento, há algum tempo que eles procuraram dialogar para que medidas sejam tomadas. “Esse é o momento que estamos dialogando e dependendo da resposta da administração, nós vamos tomar medidas. Várias comunidades estão mobilizadas para vir se não obtivermos resposta. A ideia é que se abra um espaço de diálogo sobre a demarcação de terras e a saúde, a Funai tem a responsabilidade de acompanhar. Precisamos encontrar uma solução juntos. Há muito tempos estamos procurando isso e se caso não for resolvido, iremos ficar o tempo que for preciso”.

Ninawá afirmou que índios estão morrendo, por conta do descaso na saúde. “Comunidades indígenas de Feijó estão sendo infectadas com o vírus H1N1. Só em uma aldeia foram 14 casos confirmados. Não temos estruturas para a saúde trabalhar. Desde o inicio do ano passado estamos pedindo para que seja montada uma CPI da Saúde Indígena do Estado do Acre. Em instância estadual não tivemos apoio e se possível vamos recorrer à nível nacional, no Supremo, onde quer que seja. No Alto Purus e no Alto Acre mais de 15 milhões em recursos na saúde não são repassados às comunidades”.

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