Viva à impunidade

Uma pesquisa realizada em 2011, pela Escola de Direito de São Paulo, da Fundação Getúlio Vargas, aponta que 76% da população não acredita que a lei penal é severa. E não era para menos. Vivemos no país da impunidade, onde as leis penais protegem bandidos e colocam em risco a vida de cidadãos de bem.

Era noite de domingo, 25, quando a menina Katrine Marques, de apenas 13 anos, estava distraída no quintal de sua casa, no bairro Aeroporto Velho. Nesta mesma noite, Katrine foi atingida com dois dos 5 tiros disparados por Kennedy Pereira que na ocasião estava acompanhado de outro jovem. Os disparos atingiram a sua cabeça e ela morreu na hora.

Kennedy se apresentou ao Núcleo de Proteção à Criança Vítima de Violência, o Nucria, e confessou ter matado a garota por engano, já que os tiros tinham como alvo o primo da vítima. Disse ainda que não tinha intenção de matar (!) e afirmou estar arrependido. Não tinha intenção de matar? E queria o quê, assustar na bala? Depois de depor na delegacia, Keneddy foi liberado. Isso mesmo, l-i-b-e-r-a-d-o, depois de ter se entregado e confessado o crime.

Não ficou nenhum segundo sequer atrás das grades, porque não foi preso em flagrante e não havia contra ele nenhum mandado de prisão!

Em 2000, o jornalista Pimenta Neves, ex-diretor de um dos maiores jornais do país, matou a ex-namorada Sandra Gomide com um tiro nas costas e outro na cabeça. Usando artifícios da lei, só foi preso mais de 10 anos depois de ter cometido um crime que chocou o país, mesmo sendo réu confesso. Como não se revoltar?

A impunidade incentiva a “justiça com as próprias mãos”. Quem comete erros, uma hora tem de pagá-los, de um jeito ou de outro, seja por meio da justiça comum, seja pela divina. Mas até que a justiça seja feita, o sentimento de revolta, indignação só cresce dentro de nós.

Mudar esse cenário está nas mãos da sociedade. Cabe a ela pressionar os senadores e deputados federais a mudar o Código Penal brasileiro, que nos últimos anos só tem sido alterado em favor dos bandidos.

Geisy Negreiros é jornalista. E-mail: [email protected]
 twitter: @geisynegreiros

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