A arte da violência

A popularização do vale tudo, hoje denominada Artes Marciais Mistas (MMA), é sem dúvida nenhuma um ganho sensacional para o esporte, mas não pode ser encarada de qualquer forma. Digo isso porque nos últimos dias muitas pessoas se tornaram adeptas das lutas e correm o risco de não receber a orientação correta sobre essa prática esportiva.

Academias que antes ofereciam apenas uma ou duas modalidades de artes marciais, hoje aderiram ao MMA. Quem são os instrutores? Quem foram seus formadores? Onde eles aprenderam sobre o vale tudo? Que ensina-mentos passam para seus alunos?

Essas são questões que merecem uma reflexão e porque não uma fiscalização por parte de alguém. É preciso diferenciar aquilo que assistimos na televisão: uma luta de profissionais, treinados física e psicologicamente para uma competição esportiva, onde existem regras a serem obedecidas e, mesmo que não pareça, a integridade física dos atletas está em primeiro lugar.

Uma coisa são essas lutas de profissionais, outra coisa é ensinar um jovem a ser violento, colocando na cabeça dele que é forte e, por isso, pode sair por ai dando socos em todo mundo.

Não, isso não é esporte e nunca será. Não sei a quem compete fiscalizar as academias que ensinam artes marciais no Acre, mas sei que alguém precisa agir com urgência. Sei de casos em que os “lutadores”, após os treinos se reúnem em frente à academia para ingerir bebidas alcoólicas e ali, estão dispostos a brigar com quem quer que seja.

O pior é que os participantes dessas academias desfilam nas ruas como se fossem verdadeiros gladiadores em busca de uma presa com quem possam fazer uma demonstração daquilo que aprenderam nas aulas de violência.

Não pratico nenhuma arte marcial. E acredito que nem vou praticar. Gosto de esporte, mas lutas não me despertam interesse. Acredito que o esporte é capaz de mudar a vida de qualquer pessoa.

Mas faço aqui um apelo às autoridades: é preciso fiscalizar o funcionamento de academias de artes marciais no Acre. Não podemos aceitar que qualquer pessoa que se autodenomina “mestre”, mas que não tem nenhuma formação adequada seja o instrutor de jovens que sonham em ser atletas, mas que estão aprendendo apenas a praticar a violência.

*Rutemberg Crispim é jornalista
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