Eu e a presidente

Sabe quando você quer muito conhecer uma pessoa? Conhecer, bater um papo, trocar uma ideia?

Pois é, eu estou com muita vontade de ficar uma meia hora com a presidente do meu país, Dilma Rousseff. Acho essa mulher incrível, capacitada, preparada, articulada, serena e forte ao mesmo tempo.
Mas, na realidade, nosso encontro seria quase um monólogo.

Na realidade mesmo, eu gostaria de “alugar” os ouvidos da presidente, assim como os nossos amigos alugam os nossos para contar seus problemas, seus sonhos e planos.

Frente a frente com a presidente, eu diria pra ela quase tudo que eu já disse em cartas que talvez, por sua agenda lotada, ela não tenha tido tempo de ler.

É claro que, o que eu diria, ela já deve saber (ou não). É, talvez não saiba. O Brasil é tão grande e cheio de tantas particularidades, os assessores por vezes “blindam” a autoridade e impedem que ela tome conhecimento de um monte de coisas que precisaria saber para tomar providências. Esse tipo de coisa acontece até em cidades pequenas como a nossa Rio Branco, imaginem num país com as dimensões do nosso Brasil!

Mas eu idealizo um encontro assim: suco de cupuaçu com bastante gelo, numa varanda, nós duas sentadas em cadeiras frontais, olhando nos olhos. Eu, demonstrando toda a minha admiração por ela, elogiaria seus cabelos, sua pele, suas roupas e começaria a conversa a convidando para vir ao Acre.

Diria que o Acre é enjoado. É enjoado, mas é pobre! E, como um Estado pobre, precisa de ações emergen-ciais para seu desenvolvimento. Precisa da presença mais efetiva por parte do Governo Federal com recursos e com a fiscalização da aplicação dos recursos (vide a paralisação de obras do programa Minha Casa, Minha Vida).

Contaria, por exemplo, que no nosso Estado, nós consumíamos energia gerada a óleo diesel e nos fizeram acreditar que a energia iria ficar baratinha, baratinha com a chegada do linhão, que nos traria, através do sistema interligado, energia gerada por hidrelétrica. E não foi isso que aconteceu. Nós, os acreanos, nos ferramos!

Lembraria que, nos últimos 10 anos, tivemos uma inflação de 63,01%, que a gasolina teve aumento de 45,07% e que a nossa energia aumentou em mais de 170%. Mostraria as contas de luz de 2001 e as de 2012. Diria que isso é um crime contra a ordem econômica! Nenhum trabalhador brasileiro teve um aumento sequer parecido com o aumento do valor do kWh no Brasil! Quanto mais economizamos no consumo de energia mais nossa conta fica salgada!

Ah! E pediria também que ela desse um jeito de abrir o canal DiscoveryKids, da Sky, para todos os lares brasileiros, incentivando dessa forma a educação infantil, tão combalida e ineficiente.

Por fim, pediria para que ela acelerasse a Reforma Tributária e que, por decreto mesmo, fizesse os governadores abrirem mão de parte de suas arrecadações com o ICMS para o bem do povo brasileiro.   

Quisera eu ficar frente a frente com a presidente do Brasil!
 
Eliane Sinhasique é jornalista,
radialista e publicitária
[email protected]

Assuntos desta notícia

Join the Conversation