Moro no Acre; não moro em Minas

Encontrei, nesta semana, por acaso, num almoço, o governador do meu Estado do Acre, Sebastião Viana. Fiquei feliz. Afinal, nunca mais falei com ele depois de eleito.

Vi, naquele momento, a oportunidade de falar, mesmo que de forma informal, e pedir que ele reduzisse o ICMS nas contas de luz dos acreanos. Fiquei triste. Acho que não foi uma boa hora. Para minha surpresa e para a surpresa de todos que estavam sentados à minha mesa, o governador me respondeu, já andando em retirada, exatamente assim: “Por que você não pede para o Aécio baixar o ICMS de Minas??? Lá é o mais alto do Brasil!”.

Não me contive e respondi: “Eu moro no Acre, não moro em Minas”.

De certa forma ele tem razão. Minas Gerais cobra o ICMS mais alto do Brasil. Lá são 30%. Aqui são 25% declarados mas, com o cálculo por dentro, passa para 33,33%. A conta não bate. O Acre acaba ficando com o mais alto mesmo. Nessa competição o Acre ganha.

Em outros pontos, nosso Acre precisa caminhar e muito!

Minas Gerais é o segundo estado mais populoso do país, com quase 20 milhões de habitantes. É o estado que tem 853 municí-pios, o maior número de municípios do Brasil! O Acre tem apenas 707.125 habitantes distribuídos em 22 municípios.

Minas Gerais é um estado rico!

Lá tem produção de cana-de-açúcar, café, soja, milho, abacaxi, cebola,  feijão  e banana. Na pecuária, tem os melhores desempenhos na bovinocultura de corte,  suinocultura, avicultura e produção de leite. E só o município de Mirabela, que tem apenas 13.043 habitantes, é o maior produtor de carne de sol.

Minas Gerais possui o segundo maior parque industrial do país, é o mais industrializado, atrás apenas de São Paulo. É o segundo estado do Brasil em exportações. Lá o povo trabalha com mineração, metalurgia, automobilismo, alimentação, indústria têxtil, construção civil, produtos químicos e minerais não metálicos, eletrônica e telecomunicações.

Não vou comparar Minas com o Acre com relação ao custo de vida, qualidade de vida ou renda per capita porque seria covardia. Não vou falar da vida noturna, dos estádios, dos times de futebol, nem das artes, da cultura, do cinema, do artesanato, da música, das rodovias e ferrovias que cortam o estado de Minas.

Lá o valor do kwh, mesmo com ICMS de 30%, ainda é menor que no Acre. Lá custa 0.525499 e no Acre custa 0,574451. Eu moro no Acre e é por um Acre produtivo e desenvolvido que devemos lutar.

Vou parar por aqui e pedir desculpas públicas ao governador Sebastião Viana por tê-lo importunado com um assunto do qual ele não quer falar (e eu devo ser muita chata mesmo com esse assunto de energia!), mas o abordei até porque seu irmão, ex-governador e atual senador, Jorge Viana, falou sobre isso no Senado, semana passada, demonstrando enorme preocupação com o custo da energia no nosso Estado.
Só mais uma coisinha: O nome do atual governador de Minas Gerais não é Aécio, é Antônio Anastasia.

Eliane Sinhasique é jornalista, radialista e publicitária
E-mail: [email protected]

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