Indígenas aprendem técnicas de produção de mudas

Antônio de Carvalho Kaxinawá, o Banê, é agente agroflorestal da Terra Indígena Nova Olinda, Feijó (AC) e esteve, entre os dias 1 e 4 maio, junto com outros dois indígenas, na propriedade do agricultor familiar Francisco Barroso, em Capixaba (AC). A família do produtor rural mostrou, na prática, os cuidados e procedimentos para produção de mudas de fruteiras cítricas.

A iniciativa faz parte de projeto de pesquisa Etnoconhecimento e Agrobiodiversidade entre os Kaxinawá de Nova Olinda, coordenado pela Embrapa Acre, unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura e Abastecimento, que tem como foco principal a diversificação da oferta de alimentos e a segurança alimentar da comunidade indígena, localizada no alto Rio Envira.

Pés de laranja, limão e tangerina são comuns nos quintais da Terra Indígena Nova Olinda, mas as árvores produzem pouco e demoram cerca de dez anos pra começar a frutificar. A utilização de técnicas como a enxertia, que combina mudas adaptadas às condições de solo e clima com espécies que apresentam boa produtividade e frutos de qualidade, vai reduzir o tempo de produção de frutas nas aldeias para dois anos. “Eu não conhecia a enxertia e pude ver de perto como se faz a muda que vai produzir mais, isso é importante para a nossa comunidade”, afirma Banê.

A agricultora Maria Auxiliadora Gadelha se tornou a professora dos indígenas e afirma que quem está aprendendo com a experiência é ela. “A gente aprende o tempo todo com eles, valores como paciência, foco e respeito ao próximo, que muitas vezes a gente acaba não dando muito importância no dia-a-dia”, conta. Segundo a agricultora, a enxertia é uma técnica que exige muita atenção e habilidade com as mãos. “Mas o desempenho deles é muito bom, é difícil quem aprende esse procedimento com tanta facilidade”, declara.

Na primeira expedição à Terra Indígena, no final de março, foi realizado o levantamento das fruteiras presentes, com georreferenciamento. “Com essas informações, vamos casar os resultados obtidos nas análises de solos para planejar e fazer melhor uso das áreas. A ideia é implantar Sistemas Agroflorestais (SAF´s) no entorno das casas, de acordo com a aptidão do solo e com as fruteiras que eles querem ter”, afirma o pesquisador da Embrapa Acre Romeu Andrade Neto.

São parceiras do projeto o Governo do Estado do Acre, por meio da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof), do Instituto de Mudanças Climáticas do Acre (IMC), da Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac) e da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema). A Fundação Nacional do Índio (Funai), Universidade Federal do Acre (Ufac) , as associações locais dos kaxinawás (Aspakno e Akaf) e a Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Brasília, DF) também participam das ações. (Ascom Embrapa/AC)

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