Respeito todo mundo merece

Lamentável, deprimente. Assim pode ser definido o episódio protagonizado pelo vereador Rodrigo Pinto, na tarde do último domingo. Acho que nem é preciso detalhar aqui, mais uma vez,o ocorrido, né? Pelo que conheço do Acre e do ser humano, não existe, a esta altura,uma alma viva nessa cidade que não tenha falado ou ouvido falar sobre o assunto.

Tá certo. Foi um BAFÃO (em capslock mesmo!). Daqueles de parar o trânsito, a padaria, o supermercado e por aí afora. Se acontecesse com um anônimo qualquer, já seria badaladíssimo. Envolvendo, então, uma pessoa pública, um político… É prato cheio pra render a semana inteira. Ainda mais em terras de muros baixos como a nossa.

Enfim, impossível não comentar e, tratando-se de um vereador, impossível também não noticiar. O que assusta, entretanto, é o tipo de abordagem e de repercussão que as pessoas – a sociedade e, infelizmente e principalmente, alguns colegas da imprensa – são capazes de dar ao assunto.

Por ibope, por fins eleitoreiros ou pelo sádico e incontrolável prazer de falar mal dos outros, despem-se dos mais básicos princípios morais e éticos e achincalham, apedrejam sem dó nem pie-dade, transformando o que era (é) um drama pessoal e familiar em um evento cômico, patético e humilhante.

Tudo bem, vai lá… Quem nunca ouviu ou passou pra frente uma fofoquinha? E quem já não fez piada da própria desgraça ou riu da desgraça alheia? Façamos a mea culpa: julgar e falar da vida alheia faz parte desta natureza estranha e contraditória de nós, pobres mortais. Mas, convenhamos também: é preciso ter limites. E, neste caso, muita gente não teve.

Conheço pouquíssimo o vereador Rodrigo Pinto. Não compartilho dos mesmos ideais políticos, e ele nunca teve e, provavelmente, nunca terá o meu voto. Não sei nada sobre sua vida particular e tampouco sobre seus problemas conjugais. Se ele foi traído ou não; se estava drogado ou não; se tinha ou não uma amante… não sei. Aliás, a maioria de nós não sabe e, talvez, nunca vai saber.

Todavia, como mãe, filha, irmã e esposa que também sou, coloco-me, só por alguns minutos, no lugar de seus familiares… E é impossível não me compadecer com a dor, a vergonha e a impotência de ver uma pessoa querida sendo ridicularizada e condenada publicamente.

Popular ou anônimo, certo ou errado, o que ficou claro nas imagens fortes e tristes que todos vimos é que o vereador precisa, sim, é de cuidados e de tratamento (seja por qual motivo for). E, tão frágeis e imperfeitos que todos também somos, o mínimo que poderíamos garantir nesta situação é respeito. Porque é bom e todo mundo merece.

* Maíra Martinello é jornalista. [email protected]

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