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Hospital das Clínicas realiza transplante de rins, fígado e córnea de um único doador

Quando alguém se dispõe a oferecer seus pró-prios órgãos, ou quando parentes autorizam a retirada de órgãos para transplante, a motivação é uma só a solidariedade e o interesse de salvar vidas. Foi o que fez a família do jovem Luan Nogueira Braña, de 21 anos, que em vida relatou aos parentes e amigos seu desejo em ser um doador.

A captação ocorreu no dia 21 deste mês – os dois rins foram levados para o estado do Ceará, o fígado para São Paulo e as córneas para o Distrito Federal, onde vão passar por uma avaliação e em seguida retornam ao Acre para serem implantadas em um paciente de Rio Branco que se encontra na fila de espera.

“Luan era um rapaz que adorava viver, tinha muitos sonhos e planos, mas por uma cruel fatalidade do destino ele teve sua vida interrompida. Ao trocar uma lâmpada ele recebeu uma descarga elétrica e não resistiu”, relata a irmã do jovem, Mirella Braña. Ela diz ainda que quando seu irmão morreu a equipe da Central de Transplante do Hospital das Clínicas (HC) procurou a família e informou que os órgãos de Luan estavam aptos para doação. “Quando fomos comunicados [da morte], não aceitamos, mas em uma conversa familiar autorizamos a doação de órgãos, pois ele em vida já havia mencionado o desejo de ajudar outras pessoas”, esclarece.

 “Esse é um trabalho extremamente delicado, porque a família está passando por um momento difícil e temos que comunicar-lhes que o seu ente querido é um possível doa-dor, e precisamos da autorização da família para tentar salvar outras vidas”, explica a coordenadora da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos, Regiane Ferrari.

O Hospital das Clínicas e a Central de Transplantes inicia-ram suas atividades em março de 2006, em princípio como programa. Pouco tempo depois, tornou-se a Central Estadual de Transplantes, que tem como função a implementação e coordenação do processo de transplantes de órgãos e tecidos no Estado que envolve desde a captação de órgãos e tecidos e a seleção de receptores até o transplante propriamente dito. O transplante obedece aos critérios da lista única estadual. Funciona 24 horas por dia, em regime de plantão e sobreaviso, e tem uma equipe formada por médicos das áreas de nefrologia, urologia, cirurgia e clínica-geral, além de enfermeiros e pessoas que atuam na área administrativa.

Durante esses 7 anos foram realizados 46 transplantes de rins e 82 de córneas destinados a pacientes do Acre. Para outros estados foram enviados 6 rins, 4 fígados e 6 córneas. (Marcelo Torres / Assessoria Sesacre)

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