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Milhares participam da tradicional cavalgada da Expoacre

A Cavalgada deu início à maior festa do Acre. A Expoacre 2013 é a maior de todos os tempos. Na edição de hoje, imagens que mostram a beleza do evento e antecipa o que pode ser observado na Parque de Exposições até o dia 4 de agosto. Confira.

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(FOTOS: ODAIR LEAL/A GAZETA)

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Empresários acreanos investem pesado no ramo hoteleiro
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 Os empresários acreanos têm investido cada vez mais no ramo hoteleiro. Prova disso são os cinco grandes hotéis, ligados às redes internacionais, em fase de construção em toda a cidade. Um deles é o Holiday Inn Express, previsto para ser inaugurado no segundo semestre deste ano. O empreendimento terá nove pavimentos, 110 quartos e foco no turismo corporativo, setor forte no Estado.

 A transformação no ramo hoteleiro acreano é evidente – o número de hotéis em Rio Branco já não suporta a demanda de hóspedes. Pensando nisso, Túlio Lemos, novo empresário do setor, resolveu investir R$ 20 milhões na construção de um grande hotel na região central de Rio Branco. “O setor hoteleiro mundial passa por uma mudança. O Acre é um Estado em franco desenvolvimento e tem todas as condições de receber empreendimentos desse porte. Nosso hotel, como a maioria dos que estão em construção, é ligado a uma rede internacional que detém mais de cinco mil hotéis em todo o mundo”, declarou.

 O hotel será construído na Rua Rio Grande do Sul, região central da cidade. “Escolhemos a bandeira Holiday Inn Express por ser a que mais se adequou às nossas necessidades e demonstrou bastante interesse em investir no Acre”, ressalta Túlio. O hotel será administrado pelos proprietários por meio do modelo de franquia oferecido pela Inter Continental Hotels Group (IHG), seguirá um padrão nacional para valores de diárias e deve contar com diversos ambientes sociais, como piscina e academia de ginástica, completamente adaptada para portadores de necessidades especiais.

AE4-tuliolemos Lemos lembra que, desde que surgiu a ideia de montar o empreendimento, um estudo de mercado foi realizado com o objetivo de constatar a viabilidade do negócio. Todo o processo de estudo, negociação e assinatura de contrato, durou 24 meses. A expectativa é de que o hotel seja inaugurado até o fim deste ano. Os empresários contam com os recursos do Fundo Constitucional de Financiamento do Norte (FNO) para o custeio total das obras. O FNO é a principal fonte de recursos financeiros estáveis para crédito de fomento, dirigido para atender às atividades produtivas de baixo impacto ambiental, cuja grande diretriz é o desenvolvimento sustentável da Região Norte.

 A área de atuação do FNO abrange toda a região norte, compreendendo os Estados do Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins. Essa área corresponde a 45% do território nacional, atingindo 449 municípios, que compõem a base político-institucional da região, que é de 3.869.637,90 quilômetros quadrados, com uma população de 11.604.158 habitantes (fonte: IBGE).

 Economia fortalecida – Os investimentos são privados, mas Edvaldo Magalhães, secretário de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens), observa que a presença dessas redes nacionais e internacionais acontece neste momento porque o Estado demonstrou sua capacidade de absorção para o setor. “As empresas nacionais e multinacionais realizam pesquisas de mercado para fazer investimentos. As instituições financeiras só aprovam financiamentos se houver viabilidade de negócio. Isso mostra que a nossa economia está fortalecida”, reconhece Magalhães.

Acre está se tornando polo de desenvolvimento, avalia empresária

AE3-hoteis arison jardim-9 Outro grande empreendimento que está sendo construído na Capital é o hotel Ibis Rio Branco, que já nasce com a pretensão de mudar o conceito hoteleiro acreano, unindo eficiência, modernidade e um preço competitivo. A rede Accor, dona da marca Ibis, segue rigoroso padrão de qualidade e detém as certificações ISO 9001 e ISO 14001, referentes à qualidade, atendimento e preocupação com o meio ambiente.

 A proprietária do hotel, Tehani Telles, está bastante otimista com a abertura do novo negócio. “Acho que o Acre tem se tornado um importante polo de desenvolvimento, por isso muitos empresários estão investindo aqui”, disse. Assim como a maioria dos empresários, Tehani tem experiência no ramo empresarial, mas é debutante no ramo hoteleiro. Trata-se de um investimento de R$ 15 milhões, com os incentivos do Governo do Estado e financiamento do FNO.

 “Nosso projeto foi avaliado por uma equipe muito grande, com a realização de estudos de mercado. O hotel possui uma localização estratégica e tem tudo para dar certo”, disse.
Os canteiros de obras estão lotados. Cerca de 500 profissionais das mais diversas áreas da construção civil trabalham diariamente para erguer os edifícios. Muitos desses trabalhadores foram capacitados pelo Instituto Dom Moacyr (IDM), que executa no Acre as ações do Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec).

AE4-hoteis arison jardim-2 “Eu participei de um desses cursos, me qualifiquei e recebi as ferramentas para começar a trabalhar. Nem foi preciso trabalhar por conta própria. Soube que estavam precisando de pedreiros e me candidatei à vaga. Quem antes não tinha emprego, agora pode sustentar a mulher e os filhos”, afirmou o trabalhador José Maria.

 O Acre tem servido como roteiro de passagem obrigatória para aqueles que pretendem chegar ao Oceano Pacífico por via terrestre. A Rodovia Transoceânica (BR-317 no território nacional) tem atraído muitos turistas, além dos caminhoneiros, que transportam uma infinidade de produtos. A Secretaria de Estado de Turismo e Lazer (Setul) tem investido bastante nas ações de incentivo ao turismo ecológico no Acre.

 Ilmara Lima, secretária da pasta, acredita no potencial acreano e aposta nesses investimentos da iniciativa privada. “A construção de novos empreendimentos hoteleiros no Estado, tanto de empresários locais quanto de bandeiras nacionais e internacionais, é a prova de que a demanda turística e o fluxo de visitantes cresceram exponencialmente, fruto da promoção turística feita pelo Governo do Estado e das iniciativas como a Rota Turística Internacional ‘Pantanal-Amazônia-Andes-Pacífico’, que teve grande visibilidade e tornou o Acre um destino competitivo nacional e internacionalmente”, disse.

 As pesquisas realizadas em Rio Branco pelas redes IHG e Accor apontam que a estrutura hoteleira já não comporta o número de hóspedes quando a cidade recebe grandes eventos, como seminários e conferências. A perspectiva é de que, em aproximadamente dez anos, a estrutura atualmente em construção não consiga suprir a demanda caso não haja novas construções.

Curiosidades das redes Holiday Inn Express e Ibis
 * A rede IHG é considerada a maior do mundo em número de apartamentos. Com mais de 700 mil quartos distribuídos em aproximadamente cinco mil hotéis em quase 100 países e territórios, ela tem um hotel na medida certa para cada viajante.

 * A Accor é um grupo de serviços da França presente nos ramos de hotelaria, agências de viagens e restauração e gestão de cassinos. Em 2006, a Accor contava com quatro mil hotéis e 157 mil empregados, e era o primeiro grupo hoteleiro europeu. Foi eleita pelo Great Place to Work Institute (GPTW) como a sexta melhor empresa para se trabalhar no Brasil.

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Governo do Acre nega crise no setor da indústria madeireira

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 O Governo do Acre não concorda com a palavra “crise” para definir o que ocorre no setor da indústria madeireira. O Instituto de Meio Ambiente do Acre (Imac) calcula que cerca de 2 milhões de metros cúbicos de madeira estejam à disposição da indústria.

 “A maioria dessa madeira está na floresta”, reconhece o presidente do Instituto do Meio Ambiente do Acre, Fernando Lima. “O custo [de extração] é alto e o empresário está sem mercado para negociar. Ou o preço não é satisfatório. É um problema de mercado. Não é problema de licenciamento de madeira”.

 Um dos temores do governador Tião Viana ao assumir a gestão era reestruturar o Imac com o objetivo de garantir insumos para a indústria. Preocupado em ampliar a base produtiva e fortalecer o setor industrial (incluindo as pequenas marcenarias), a licença ambiental não poderia ser obstáculo.

 Pelos números oficiais, realmente não tem sido. Dados do próprio Imac mostram que em 2011 foram 33,7 mil hectares de florestas licencia-dos para exploração de manejo madeireiro. Em 2012, a área licenciada diminuiu um pouco. Foi para 22,4 mil hectares (áreas novas).

 Outro fator oficial que indica a temperatura do setor é o volume de madeira licenciada nessas áreas liberadas para exploração. Em 2011, foram 859,39 mil metros cúbicos de madeira licenciadas. “Essa madeira não foi explorada”, assegura Lima. “Pelo menos, nós temos Autex [autorização para exploração] vencida, com validade de um ano”.

 De acordo com o Imac, em 2012, foram 750,5 mil metros cúbicos de madeira licenciadas. “Mais de 70% na floresta”, com certeza, diz o presidente, se referindo ao volume de madeira disponível ano passado.

“Demitiu-se de 40 a 50% da mão de obra da indústria madeireira”
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 Cerca de 50 empresas estão licenciadas para operar no Acre. Aproximadamente 30 estão operando. Entre estas, duas se destacam: a Laminados Triunfo e a Ouro Branco. O problema é que o cenário de crise internacional prejudicou as exportações.

 A Associação das Indústrias de Madeira de Manejo do Acre (Assimanejo) reúne as principais empresas do setor. A presidente de associação Adelaíde de Fátima Gonçalves de Oliveira é taxativa. “Demitiu-se de 40 a 50% da mão de obra na indústria madeireira”, afirma Adelaíde.

 A Assimanejo entende que a retomada do pacto firmado pelo Governo do Acre, ainda na gestão de Binho Marques, de efetivar compra de madeira oriunda de manejo poderia reaquecer o setor.

 “A nossa esperança seria a pré-aquecida do setor com a cidade do povo porque a utilização da confecção das casas como também para fazer as portas e janelas”, diz a empresária.
Adelaíde reconhece que 2011 foi um ano bom para o setor, mas o cenário mudou. Este ano, como mercado externo em crise sistêmica, o clima também influenciou negativamente. O excesso de chuva atrapalha a extração. “A nossa expectativa é de que o verão realmente chegando depois desse frio a situação melhore porque hoje as empresas não têm estoque”.

 A empresária confirma o que o presidente do Imac informou: o problema não está na liberação de exploração da madeira. “Estamos vivendo uma era que eu nunca pensei que iria viver: a de ter essa quantidade de madeira oferecida e nós não estarmos extraindo”, entristece a presidente da Assimanejo.

 Sem capital de giro, com duas grandes concorrentes (que passaram a atuar no mercado brasileiro), com o mercado externo praticamente fechado para a madeira tropical em função da crise nos mercados dos países ricos, as empresas passam por um período difícil. “Houve demissão em massa”, reforça a empresária.

 Outro empresário (que não quis se identificar) dialoga com as declarações da presidente da instituição ao qual é associado. “Há casos de colegas que reduziram de 600 para pouco mais de 200 o número de funcionários”, relata.

Setor da indústria florestal teve crescimento de 40%, afirma secretário
 A diferença entre o volume licenciado e o que é efetivamente explorado sempre é diferente. “Isso, na verdade, deveria ser comemorado”, minimiza o secretário de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis, Edvaldo Magalhães.

 O secretário não aceita a crise. “O setor da indústria florestal, de acordo com os números oficiais, teve crescimento de pelo menos 40%”, contabiliza Magalhães. “O que não se pode fazer, com risco de se cometer injustiça, é mostrar casos pontuais como se fossem representativos do setor”.

 O cenário de crise é minimizado por parte do secretário. “Se eu converso com dez empresários, eu ouço dez reclamações”, conta. Uma das prioridades do Governo está vinculada diretamente ao segmento “manejo comunitário”.

 Magalhães adiantou que nos próximos 15 dias os trabalhadores comunitários do Rio Gregório devem ter liberado licenciamento para explorar 60 mil metros cúbicos de madeira. Nos cálculos da Sedens, a extração deve se limitar á retirada de aproximadamente 2 mil metros cúbicos em uma primeira etapa de trabalho.

 Para o secretário de Desenvolvimento Florestal, um dos raros gargalos assumidos reside no acesso ao crédito “por parte das instituições de fomento”. “Elas têm dificuldades de financiar as safras”, avalia Magalhães.