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Bittar e sua ética fantasma

 Por dever de oficio, li com atenção artigo assinado e supostamente escrito pelo deputado federal Márcio Bittar, publicado e, site local, que vem sendo um espécie de porta-voz da atabalhoada oposição acreana. Baseado em matéria publicada no mencionado jornal online, o parlamentar se arvora a dar lição de ética e de moral ao governador Tião Viana, por suposta declaração contra a Polícia Federal.

 Bittar deve viver noutro planeta. Sua forma de atuar na política não é das melhores, muito pelo contrário. Bittar é um deputado federal que estrou na vida pública financiado pelo seu irmão, Mauro Bittar. Para quem não lembra, Mauro, o irmão mais velho, foi proeminente figura na administração do peemedebista Flaviano Melo (1987/1990). Dizem ser um homem rico.

 Nessa segunda e, até agora, última gestão do PMDB nasceu uma conta fantasma denominada Flávio Nogueira, que garfou milhares de reais dos cofres públicos para enriquecer, ilicitamente, aqueles que gestava os recursos. Mauro, o irmão de Márcio, figura entre os acusados.

 A vida pública de Márcio Bittar se confunde com a de muitos outros oportunistas e aventureiros que aportaram num Estado tão hospitaleiro como Acre. Num forte esquema financeiro, tornou-se deputado estadual em 1994, Nas eleições de 1998, o hoje deputado tucano galopou numa estrutura preparada exclusivamente para ele na Prefeitura de Rio Branco pelo então prefeito Mauri Sérgio. Resultado: conseguiu um mandato de deputado federal.

 Eleito, não demorou muito para abandonar os amigos peemedebistas. Foi para o PPS, acreditando que o ex-governador do Ceará Ciro Gomes poderia ser eleito presidente da República, nas eleições de 2002.

 Márcio Bittar é ambicioso. Tentou ser senador, governador e prefeito da Capital. Pegou a balsa em todas as oportunidades. Após anos sem mandato, foi eleito deputado federal em 2010. E não demorou muito para mostrar a suas garras. Tratou de assumir o comando da legenda e preparar o caminho de espinhos para defenestrar os desafetos dentro da legenda.

 O primeiro a pedir para sair foi Tião Bocalom, candidato bem votado nas eleições para o governo em 2010 e para prefeito de Rio Branco em 2012. Bittar prega ética, mas é sinônimo de que não a tem. Várias são as denúncias que pesam contra ele por práticas que desabonam qualquer cidadão moralmente limpo. Estão todas veiculadas na imprensa. Basta procurar.

 Na edição desta quarta-feira, por exemplo, a coluna política de um jornal local traz uma série de notas revelando os podres do deputado federal tucano. Numa delas é revelado que o tucano, no ano de 2005, procurou então senador Tião Viana para falar da disposição de aliar-se à Frente Popular do Acre, mas, para sair candidato pela coligação, ele necessitaria que o Governo do Acre bancasse despesas de empresas do Mato Grosso para que fizesse caixa de campanha.

 A proposta indecente foi rechaçada. Mato Grosso é o Estado de origem do deputado federal, que diz ser candidato ao Governo do Acre. Deus nos livre de quem tenta fazer da política trampolim para saltar rumo à riqueza de forma ilícita, com o dinheiro público.

 Aqui, cabe lembra que instituições como a Polícia Federal erram e têm que ser criticadas pelo erros, principalmente quando fazem espetáculos públicos. Se Bittar e a sua turma fingem não saber, nos anos de 2010, 2011 e 2012, a Polícia Federal remeteu ao Ministério Público Federal 211.834 inquéritos criminais. Desse total apenas 17.744 (8,3%) resultaram em denúncias encaminhadas ao Judiciário por procuradores da República contra os investigados.

 Desceram ao arquivo 41.530 (19,6%) inquéritos. Outros 1.449 (0,68%) converteram-se em propostas de acordo, chamadas tecnicamente de ‘transações penais’. Tudo por falta de provas ou inconsistências variadas.

 Chupei as informações do blog escrito pelo respeitado jornalista Josias de Souza (josias desouza.blogosfera.uol.com.br).

 Finalizando, Bittar afirma trabalhar com pesquisa. Deve saber que a maioria da população apoia e confia na administração de Tião Viana, um governador que trabalha para o povo. Que foi, em menos de três anos, mais de 300 vezes aos municípios, sempre levando investimentos à população.

 Deve ser isso que incomoda herdeiros de uma política que fazia uso de fantasma para enriquecer ilegalmente. Ficar longe do cofre incomoda a essa gente, que prega uma ética e uma moral divorciada da sua atuação.

* Leonildo Rosas é secretário de Comunicação do Estado