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Francisco Assis
Francisco Assis dos Santos é filósofo e humanista. Email:[email protected]

Crianças desventuradas

Bem aventuradas, ditosas ou felizes são, neste dia da gurizada, todas as crianças que vivem em lares estruturados,  com pais responsáveis, comprometidos com a educação, a saúde e o crescimento equilibrado de seus filhos. Contudo, a ênfase aqui é sobre as crianças desventuradas que sobrevivem à margem da vida, sacrificadas pelas desigualdades sociais, vítimas dos detentores do poder que desditosamente, amparados por um sistema perverso impõe aos mais fracos, as mais desprezíveis humilhações. Vítimas, também de uma sociedade míope e vaidosa em todas as suas manifestações, quando se trata de proteger e defender os sem defesa.  

Não sai da minha retina cansada a aparição na tevê, em dias passados, de uma criança de três anos amarrada pelos pés, com as pernas abertas, para ser desgraçadamente incomodada ou quem sabe estuprada, pelo homem monstro, conhecido como pedófilo. Situações iguais ou mais monstruosas do que essa dá razão a especialistas, que têm dito que entre todos os crimes hediondos, o cometido contra crianças é o mais nefasto. O crime contra crianças, notadamente o crime de pedofilia, é produto de um sistema iníquo que só pode ter sua origem no inferno; pois que, nestes novos tempos, as crianças são o alvo principal de toda sorte de perversidades já vistas abaixo do firmamento. 

Além dessa trama dos infernos e das desigualdades sociais tem, ainda, a tal onda da diversidade social globalizada e a cultura do “ficar” que leva a maioria das nossas crianças, meninos e meninas, ainda em tenra idade, 9 a 14 anos, talvez mais ou menos, experimentar uma realidade sexual própria de adultos. Reverberando, portanto, no dia-a-dia a violência a que são submetidos seus corpos juvenis. No campo do abuso sexual contra crianças, a estatística é alarmante e estarrecedora: a cada 8 minutos, uma criança é violentada no Brasil.

Qualquer pessoa, com um mínimo de bom senso pode constatar que as nossas crianças são um portal para as mais cruéis maquinações do mundo do crime. Hoje, as casas de “recuperação” estão repletas de crianças, adolescentes e jovens, que inegavelmente cometeram delitos hediondos e que já experimentam no início da vida, a mais vil degradação humana. Como é possível, nos perguntarmos que uma criança com um caráter em formação, seja capaz de crimes tão perversos?

Outro item alarmante é o fato de meninas, entre 10 a 14 anos, estarem parindo mais do que mulheres adultas. No Brasil temos, anualmente, mais de um milhão de gurias parindo anualmente, aumentado a cada dia o elevado índice de gravidez precoce. O amadurecimento sexual contrariando a teoria do desenvolvimento humano de Jean Piaget chega mais cedo, de forma constrangedora ou “na marra” como dizem por aí. Não é à toa que meninos e meninas estejam ficando sexualmente maduros aos quinze anos de idade.

Penso que uma das portas causadora desse elevado índice de gravidez precoce, que se soma às relações amorosas irresponsáveis, é a excessiva permissividade (licenciosidade) no campo da pornografia.  Os defensores dessa liberdade promíscua, de modo geral, afirmam que a pornografia deve ser tolerada como parte da livre expressão dos cidadãos. Essa tolerância amplia-se a todos os campos do pensamento e do empreendimento humanos. A questão, nesse caso, está em sabermos se a liberdade da palavra, verbal e impressa, implica a liberdade de corromper as mentes humanas por meios de recursos de comunicação em massa, incitando assim a todas as formas de perversão e imoralidade sexual. Também, o chamado realismo artístico que constitui, ao mesmo tempo, orientação e finalidade de parte da indústria cinematográfica nos países do primeiro mundo, aumenta a podridão, a imundície e a devassidão que estão envenenando a nossa juventude. Muito, igualmente, poderia ser dito sobre as crianças que, constrangidas pela fome e a miséria, praticam trabalhos forçados.

Tenho repetido, enfadonha e exaustivamente, que a situação exige sem estardalhaços, que voltemos a semear bons propósitos nos corações das crianças, uma vez que a safra de miséria que estamos colhendo agora é o resultado da semeadura, no curso dos últimos decênios, de uma  moralidade relativa. E o futuro, tende a ser pior!

Urge, neste dia de mimos com as crianças, que se pense em programas, venha de onde vier que deem a essas inditosas, o direito de viver dignamente. Ser criança, estudar como meninas e meninos, viver como criança e usufruir dessa condição de ser criança, a fase mais bela da vida humana. É tudo o que elas precisam!

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