Artrite reativa: a doença atinge principalmente pessoas do sexo masculino que estejam entre 20 e 40 anos

A síndrome de Reiter também conhecida como artrite reativa compreende um grupo de sintomas de causa desconhecida que afeta as articulações provocando artrite (inflamação das articulações), podendo segundo Sousa e colaboradores (2003) vir acompanhada de uretrite (inflamação da uretra), cervicite (inflamação do intestino com diarréia aguda e acometimento da pele e mucosas da boca e genitais), e conjuntivite ou uveíte (inflamação do revestimento do olho).

A afecção tem tendência a cronicidade e pode acometer indivíduos em qualquer idade. Porém, é mais comum em pacientes jovens. Atinge principalmente pessoas brancas, do sexo masculino, que estejam entre 20 e 40 anos.

A sindrome de Reiter foi descrita pela primeira vez em 1916, a partir de prisioneiros da Primeira Grande Guerra, sendo que até o momento não existe nenhum exame específico para a doença.

Contudo, Sousa e colaboradores (2003) entendem que, “a constatação do antígeno HLA-B27 em um indivíduo jovem com alterações psoriasiformes, associadas a sintomas oculares e articulares, podem ajudar a estabelecer o diagnóstico”.

CAUSAS
Não se sabe quais são suas causas, mas esta condição no entender da maio-ria dos autores, geralmente ocorre em homens com vida sexual ativa com menos de 40 anos de idade, e pode acompanhar uma infecção disentérica ou sexualmente transmitida por Clamídia, Campylobacter, Salmonella ou Yersinia. Outros autores acreditam que também pode haver uma predisposição genética à síndrome.

SINTOMAS
Para Azouz e Duffi (1993) dentre estes, os sintomas que mais caracterizam a síndrome são a dor e a higidez após período de repouso, os quais melhoram significativamente com a execução de exercícios físicos.

Complementando outros autores assinalam que os pacientes que desenvolvem a síndrome, geralmente apresentam os seguintes sintomas:

– dor na coluna e em ligamentos ou articulações da bacia,
– artrite entre esterno e costelas e nas articulações das clavículas com os ombros,
– conjuntivite ou uveíte podem preceder ou acompanhar a crise articular,
– manchas eritematosas no céu da boca,
– lesões cutâneas nas regiões plantares (tem aspecto psoria-seforme)
 – inflamação com aumento articulações (juntas)
– hiperceratose sub-ungueal (unhas)

CONSEQUÊNCIAS
A Síndrome de Reiter é uma doença auto-limitada, com bom prognóstico, porém na maioria das vezes é recidivante podendo às vezes tornar-se crônica.

A duração dos sintomas varia de poucos dias a várias semanas, com incapacidade importante do paciente nesse período.

De acordo com os especialistas, entre 20 e 30% dos pacientes sofrem algum desconforto (mal-estar, febre, desânimo) ou outros sintomas da doença como artrite, conjuntivite e uretrite.

As seqüelas com alterações destrutivas graves e deformidades são muito raras e as alterações degenerativas, a exemplo da osteoartrite das articulações comprometidas também podem ocorrer.

TRATAMENTO
Conforme assinala Freire (2013) o tratamento da síndrome de Reiter consiste na utilização de medicamentos (anti-inflamatórios não hormonais – AINH, corticosteroides e antibiótico), sendo que a utilização destes vai depender da severidade de cada caso. A aplicação da terapia física, usando compressa gelada para alívio da dor e do inchaço das articulações inflamadas é um recurso de grande valia. Neste sentido, com o objetivo de recuperar todo sistema osteomuscular e articulações a realização de exercícios para todo o corpo deve ser considerada.

PREVENÇÃO
Ainda conforme assevera Freire (2013) “por ser uma doença que pode aparecer em decorrência de uma infecção urogenital e que pode ser transmitida através do contato sexual, a prevenção pode ser feita com o uso de preservativos, além do tratamento precoce e efetivo das infecções intestinais e urogenitais”.

* Terezinha de Freitas Ferreira  é Doutora em Enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora associada do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto da Universidade Federal do Acre – UFAC.

Interina
* Daniela de Freitas Ferreira é fisioterapeuta. Especialista em Traumatologia Osteo-Articular pelo Centro Universitário Clareatiano de Batatais – CEUCLAR. Trabalha na Fundação Hospital Estadual do Acre – FUNDHACRE.

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