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Dois terços dos haitianos que vem ao Brasil fizeram rota dominada por ‘coiotes’

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Cerca de 20 mil haitianos ingressaram no Brasil pelas fronteiras do Acre e Amazonas nos últimos três anos, segundo levantamento dos respectivos governos. Muitos deles contam com benefícios da União, como o Bolsa Família, que em Manaus atende a 23 famílias, todas com crianças matriculadas na rede pública.
De acordo com a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos do Acre, diariamente ingressam naquele Estado pelo menos 40 imigrantes. “É comum nos deparamos com grupos vulneráveis, entre enfermos, mulheres grávidas e desacompanhadas de seus cônjuges”, diz o secretário Nilson Mourão. Segundo ele, os retirantes haitianos seguem, em sua maioria, para o Sul do país, atraídos por facilidade de emprego nas lavouras.

 Na rota entre o Haiti e o Brasil, dominada por “coiotes”, os imigrantes seguem para a República Dominicana, onde embarcam em voo da Copa Airlines até o Equador e, de lá, seguem de ônibus para o Peru e a fronteira do Acre ou Tabatinga.

“Há relatos de extorsão, violência física e abuso sexual contra mulheres desacompanhadas, principalmente em território peruano. Os imigrantes ficam à mercê de uma rede criminosa muito bem estruturada”, afirma Mourão, calculando que pelo menos 300 mulheres com filhos cruzaram a fronteira do Acre somente neste ano.

 Mourão defende a desativação das rotas usadas pelos clandestinos. “Mas isso não ocorrerá por decreto ou força bruta nas fronteiras”, diz. “Se o governo federal fizer valer a resolução de entrada legal, sem necessidade de carteira de trabalho ou visto, apenas concedendo visto humanitário, que vale por cinco anos, economizaríamos muito dinheiro e esses imigrantes não correriam riscos com os coiotes”.

 Mapeamento. O professor da PUC-Minas, Duval Fernandes, que encabeça uma pesquisa encomendada pelo Ministério do Trabalho e Organização Internacional para as Migrações (OIM), ligada às Nações Unidas, sobre as rotas usadas pelos haitianos que entram ilegalmente no país, revela que entre os cerca de 20.000 imigrantes que entraram no Brasil, dois terços chegaram por intermédio de ‘coiotes’.