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Consciência Negra e trabalho de educação são destaques neste mês de novembro

Na Semana da Consciência Negra, ainda há muitos passos a serem dados em todo o Brasil. A camuflagem da discriminação racial em diversos crimes é uma realidade. No Acre, um trabalho de conscientização e educação está sendo desenvolvido com programação elaborada pela Secretaria de Justiça e Direitos Humanos (Sejudh) e pela Secretaria Municipal Adjunta de Promoção da Igualdade Racial (Seadpir), em novembro.

De acordo com o chefe do Departamento de Promoção da Igualdade Racial da Sejudh, Organ de Arimatéia, este será o primeiro ano que o trabalho em alusão ao mês será realizado com os órgãos estaduais e municipais. “Várias cidades estarão organizando eventos em homenagem à Consciência Negra. As praças serão como palcos para essa grande festa do respeito e da igualdade”, informa.

Este é o 9º ano da Semana da Consciência Negra comemorado no Estado. Porém, o mês de novembro inteiro apresentará atividades voltadas para essa temática. No dia 30, haverá o encerramento da programação, com a Caminhada Pela Paz e Contra a Intolerância Religiosa.

“Nós temos nos esforçado para superar os problemas. Prova disso é a concretização do curso de Formação de Gestores em Promoção da Igualdade Racial. Lá, os gestores recebem a cartilha com todas as leis sobre o assunto e serve como um norte a ser seguido”, afirma Arimatéia.

Ainda assim, o maior desafio no combate à desigualdade racial é o judiciário acreano, aponta Arimatéia. “Isso acontece em todo o país. As pessoas têm denunciado, mas não há a resolução. O judiciário ainda não sabe lidar com a situação. O delegado não encaminha da forma que deve ser. Até mesmo o levantamento de dados fica comprometido com isso”.

Arimatéia declara que os crimes de racismo são “invisíveis” para a sociedade. “Assassinato, estelionato, estupro, dentro os crimes mais hediondos. Você não consegue perceber porque o negro morre. É o crime perfeito. Assistir à programação televisiva e só ver pessoas brancas inseridas nela se tornou comum. Garis negros e ricos brancos. Crianças recém-nascidas negras são as que mais morrem e isso é algo natural para a população”, lamenta.

Rua da África – A maioria dos eventos realizados durante a Semana será na Rua da África, localizada na cabeceira da passarela Joaquim Macedo, no Segundo Distrito da Capital. O local ganhou essa denominação durante a construção da Ponte Juscelino Kubitschek, popularmente conhecida como metálica. Nessa época, havia um grande número de trabalhadores negros envolvidos nas obras, que moravam nessa rua. Daí o surgimento do nome pejorativo.

A origem da data – O dia da Consciência Negra, 20 de novembro, foi escolhido em razão da morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, no ano de 1695.