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Famílias completam 10 dias acampadas no Incra

 As 218 famílias despejados do Ramal do Cacau estão há 10 dias acampadas de maneira improvisada enfrentam a chuva e a fome na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Rio Branco. De acordo com informações, apesar do superintendente do órgão no Acre, Idésio Luis Franke, está viajando, as negociações com o proprietário da terra continuam.

 O produtor Geraldo dos Santos, 45 anos, afirma que situação está muito difícil, crianças choram com fome. Acampado com a esposa e dois netos, ele não sabe mais o que fazer.
“Temos toda uma produção lá na área de terra em questão. Mas não podemos ir lá recolher a produção para vender aqui. Trabalhamos duro por mais um ano e hoje estamos passando necessidade aqui. Não tenho para onde ir, meus netos com menos de um ano não tem sequer fraudas”, lamenta o produtor.

 Situação semelhante vive a produtora Neusa Silva, de 40 anos, com os filhos. Uma das coisas que mais preocupam a produtora é a interrupção das aulas das crianças.

“No Ramal do Cacau nossos filhos estavam estudando. Nós batalhamos muito por uma escola. Já estávamos com um ano e meio lá dentro e despejaram todos lá de dentro, queimaram a escola”, denúncia.

 Segundo o presidente da Associação dos Produtores Rurais do Ramal do Ramal do Cacau, Jânio Mesquita, as famílias estão desabrigadas há mais de um mês. Antes da sede do Incra, eles ficaram debaixo de uma ponte, próxima de onde moravam.

 Existe um mandado de reintegração de posse que está para ser emitido pela Justiça Federal e visa retirar as famílias da sede do Incra. Mas até o fechamento desta edição, a reintegração ainda não havia sido executada.

Entenda o caso

 A área em questão está localizada no município do Bujari e vinha sendo ocupada há mais de um ano e meio por cerca de 180 famílias. No local, uma área de terra de 5,8 mil hectares, localizada no km 86 da BR-364, antes da ponte do Rio Antimary, os posseiros construíram uma escola, onde estudavam 26 crianças, e várias lavouras de hortaliças e verduras, entre outras culturas havia sido plantada.

“As terras estão registradas em nome do fazendeiro Nivaldo Moraes. Foi realizado estudos no local em 2010 e 2011 para que houvesse a possibilidade de compra. Foi identificada naquela oportunidade uma área da União, mas o processo de aquisição parou. Por essa razão estamos entrando com uma ação administrativa. O que queremos é um acordo com o proprietário para ver se podemos disponibilizar os hectares ou até a fazenda toda para beneficiar as famílias”, confirma Idésio Luis Franke.

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