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Obras do Centro de Turismo e Lazer do Sesc em Cruzeiro do Sul começam a ganhar formas

O Centro de Turismo e Lazer do Sesc em Cruzeiro do Sul está tomando forma. Em um ano de obras, os cinco contratos distribuídos em cinco contratos geram empregos diretos para cerca de 250 trabalhadores na alta temporada do verão.

Hoje, o canteiro de obras está com menos trabalhadores em função do rigoroso inverno que, em Cruzeiro do Sul, mostra a cara praticamente todo o dia. Mas, a água é um dos diferenciais do projeto arquitetônico assinado por Guilherme Bacci.

As piscinas para adultos, crianças e a piscina olímpica se soma aos oito hectares de lâmina d’água de um lago onde serão realizados esportes aquáticos integrados a uma tirolesa gigantesca cujo estudo de viabilidade está sendo conduzido pela empresa EME Amazônia.

Orçado em R$ 40 milhões, o projeto encontrou no presidente da Federação do Comércio do Acre, Leandro Domingos, um defensor intransigente da proposta focada no conceito de Turismo Social. Nessa entrevista, ele fala das dificuldades que o projeto enfrentou junto ao empresariado local, discorre sobre a dificuldade de se construir na Amazônia e se esforça para explicar a ideia de que o espaço, em um ano e meio, deve servir “a quem mais precisa”.

A GAZETA: Em qual cenário o senhor percebeu que esse projeto era necessário para Cruzeiro do Sul?
Leandro Domingos: O Sesc nacional, em uma reunião com o presidente da Confederação Nacional do Comércio, foi afirmado que o Sesc tinha que estar presente nos quatro pontos cardeais do Brasil. Cruzeiro do Sul é um desses pontos.

A GAZETA: Houve mudanças na concepção do projeto?
Leandro Domingos: Aqui em Cruzeiro do Sul havia inicialmente a proposta de montarmos uma escola de alfabetização de jovens e adultos. Ocorre que Cruzeiro do Sul é a segunda cidade do Acre que ainda não tem a presença permanente da federação do Comércio e as suas estruturas. Nós tínhamos aqui apenas a atuação do Senac. Logo que nós tenhamos inaugurado essa unidade do Sesc, nós vamos iniciar a instalação de uma delegacia da Federação do Comércio também aqui em Cruzeiro do Sul. E outro motivo que fortaleceu a ideia do projeto é proporcionar melhor qualidade de vida à comunidade aqui de Cruzeiro do Sul e do Juruá.

A  GAZETA: Por isso, a mudança no escopo inicial do projeto…
Leandro Domingos: Exato. Tendo essa referência de melhoria na qualidade de vida de maneira integral de todo Vale do Juruá, uma escola não seria suficiente. O Centro de Turismo e Lazer é uma obra do porte da que nós temos em Rio Branco. As cidades de Rodrigues Alves, Mâncio Lima, incluindo Feijó e Tarauacá, devem utilizar essas estruturas de forma sistemática.

A GAZETA: O Turismo Social que o Sesc defende…
Leandro Domingos: Temos a pretensão de fazer o Turismo Social. Por isso, nós estamos construindo também um hotel para integrar as cidades circunvizinhas aqui, além de Rio Branco. Porque esse turismo que queremos praticar é um turismo interno. Queremos que o acreano passe a conhecer efetivamente o Acre. Sabemos que muitas pessoas de Rio Branco não conhecem Cruzeiro do Sul e o Vale do Juruá e muita gente daqui não conhece a Capital. Nós queremos fazer essa integração. Hoje, o conceito de Turismo Social é muito discutido na Câmara de Turismo da Federação do Comércio.

A GAZETA: O projeto, com recursos integralmente oriundos da iniciativa privada, não encontra paralelo na região. São R$ 40 milhões. A comunidade já está sendo informada de que o projeto foi concebido para ela?
Leandro Domingos: O Sesc tem um trabalho eminentemente social. Queremos deixar isso muito claro para a sociedade: o Sesc não é constituído para elites. Todos podem participar das nossas atividades. Mas, as nossas estruturas, os nossos fundamentos são voltados para atender às pessoas que mais precisam. Pessoas que, muitas vezes, não são atendidas pelo poder público.

A GAZETA: As pessoas confundem.
Leandro Domingos: Somos iniciativa privada. Nossos braços se estendem exatamente em áreas onde o poder público ou ele é ineficiente ou simplesmente não existe. A questão do lazer no segmento aquático, o poder público praticamente não atua nisso.

A GAZETA: Empresários locais, em um primeiro momento, rejeitaram o projeto. Como está essa relação hoje?

Leandro Domingos: Não foi uma rejeição propriamente da obra. Houve um movimento inicial por meia dúzia de pessoas, motivadas, talvez, por um cabeça, de que a construção de um hotel aqui em Cruzeiro do Sul poderia gerar uma concorrência no segmento. Nós demonstramos a todos que isso não é verdade. Como eu disse anterior-mente, nós promovemos o Turismo Social. O Sesc não tem prioridade no turismo de negócios ou que vão passar um ou dois dias. Podem até se hospedar, sim. Mas, essas pessoas vão pagar o preço de mercado. Os empresários daqui não têm que ter medo do Sesc, não. O Sesc não vai fazer concorrência a eles. Ao contrário.

A GAZETA:  Por quê?
Leandro Domingos: O Sesc vai movimentar a cidade. E, ao movimentar a cidade, gera um fluxo econômico razoável e faz com que hotéis, bares, restaurantes tenham melhor faturamento. Eles têm que se preocupar com outro tipo de concorrência. Com a abertura da BR-364, Cruzeiro do Sul vai receber um fluxo migratório grande para cá. E isso pode despertar o interesse de grandes redes hoteleiras. Em Rio Branco, já há grandes redes hoteleiras se instalando. Em breve, é possível que algumas delas sejam despertadas por essa região. Aí, sim, os empresários daqui terão a concorrência acirrada. Mas, houve o entendimento de que a presença do Sesc aqui é para contribuir com a economia  e a cultura de Cruzeiro.

A GAZETA: Diante da concepção do Turismo Social de que forma a proposta dialogou com a arquitetura do espaço.
Leandro Domingos: Na verdade, nós não impusemos uma arquitetura. Nós apenas falamos das áreas que queríamos atingir. O projeto arquitetônico tem uma concepção moderna e com configuração focada no aproveitamento do potencial ambiental da região. Há reserva florestal, tem muita água. O impacto ambiental é mínimo. Quando as obras estiverem concluídas haverá essa harmonia entre a modernidade e a geografia do lugar.

A GAZETA: O que há de diferencial?
Leandro Domingos: Estamos construindo um parque aquático que a concepção das estruturas de piscinas não são convencionais. Elas têm um trajeto arquitetônico diferenciado. A arborização de toda área do lago com açaí, buriti, cupuaçu já está sendo feita. Não haverá exploração comercial desses frutos. A ideia é fazer com que as pessoas tenham contato com esses frutos, conheçam o que nossa região produz e oferecem. Muita gente de fora não conhece, não tem nem noção de como é o buriti, o açaí.

A GAZETA:  A obra já está com um ano. O que o senhor destacaria de dificuldades na execução do projeto?
Leandro Domingos: O custo da construção civil aqui é muito alto. A mão de obra daqui é muito escassa e o material, os insumos, são muito difíceis de se conseguir. Outro fator que dificulta: aqui chove muito. Nós iniciamos a nossa obra prestes ao inverno passado. Como nossos contratos têm prazo para serem cumpridos, as empresas tentaram trabalhar no inverno. Em função disso, tivemos que fazer adaptações de projetos e de estruturas para que nosso cronograma não sofresse prejuízos. Mas, de um modo geral, nossa obra está seguindo bem. 70% dela está dentro do cronograma. Há um atraso de cerca de 35 dias, mas no verão isso vai se ajustar. A obra nesse inverno agora vai ser tocada a todo vapor. Estamos estruturados para que, mesmo no inverno, possamos trabalhar bem. A nossa expectativa é de inaugurar a obra em, no máximo, um ano e meio.

A GAZETA: Quanto vai custar o Centro de Turismo e Lazer do Sesc de Cruzeiro do Sul?
Leandro Domingos: É uma obra muito grande. Só em construção física, o investimento é de R$ 40 milhões. Nós já temos mais de R$ 30 milhões contratados. Ainda há outros R$ 10 milhões que irão para a área de drenagem, muros, urbanização que ainda precisam ser contratados.

A GAZETA: A lei permite que a obra tenha aditivo?
Leandro Domingos: Sim. Permite. Mas, nossas obras, nenhuma teve aditivos de preços. Nós tivemos aditivos de prazos. Nós só fazemos aditivos de preço quando há necessidade de ampliação da obra ou se alguma coisa necessária deixou de ser incluída no projeto.

* Itaan Arruda viajou a Cruzeiro do Sul a convite da Fecomercio/AC