Câncer de colo do útero mata 40% das vítimas no HC do Acre

A taxa de mortalidade em decorrência do câncer do colo do útero no Acre está entre as três mais altas do país, de acordo com dados do Instituto Nacional do Câncer. A cada 100 mil mulheres, 10,9 morrem por causa da doença.  O Hospital do Câncer (Unacon) do Estado recebe todos os anos de 80 a 90 novos casos e destes, 40% resultam em óbito, segundo a direção.

Em 2013, das 87 mulheres que deram entrada no Unacon para tratamento do câncer do colo do útero, 32 não resistiram. “Se for levado em consideração o estágio em que as pacientes chegam, a taxa de mortalidade não é tão grande”, explica o diretor  clínico do hospital, o médico oncologista Antônio Carlos Vendette.

“Pelo menos 80% já chegam em um estágio avançado da doença. Os tumores são maiores que 5cm no colo do útero, o que é considerado bastante grande. Neste caso, a chance de cura é de aproximadamente 30%. Este fator deve ser levado em consideração muito mais do que a taxa de mortalidade”, ressalta Vendette, alertando para a importância do diagnóstico precoce, que aumenta as chances de cura.

O perfil mais comum, segundo o médico, são de adultas jovens, e não idosas. A grande maioria está entre os 30 e 40 anos. “São mulheres que ainda estão em idade fértil, mães que têm filhos pequenos, economicamente ativas. Então é um transtorno muito grande, inclusive psicológico. A maior parte delas são abandonadas pelos parceiros”.

Segundo o Inca, na região Norte, a incidência da doença é maior do que nas outras regiões do Brasil. Nela, o câncer de colo do útero é o que mais acomete mulheres, vindo antes do câncer de mama, diferente do resto do país. “Isso tem referência com os hábitos de vida, com o início precoce da vida sexual, o grande número de parceiros sexuais durante a vida e a falta de cobertura de preventivo devido a acessibilidade de ribeirinhos, entre outros fatores”, acredita o oncologista.

A secretária estadual de Saúde, Suely Melo, atribui o número elevado da mortalidade referente à doença no Estado ao recebimento de pacientes de outras localidades no Acre “Tivemos uma taxa bastante elevada de mortalidade com relação ao câncer de colo em razão de a gente estar com o Unacon aqui. Nós estamos recebendo mulheres de vários estados do Brasil para serem tratadas no Acre, como de Roraima, Amapá, Rondônia e de algumas regiões aqui do Amazonas”, explica.

Para tentar reverter esta situação, ela afirma que o Estado tem intensificado iniciativas de prevenção e diagnóstico, buscando colaborar com o município para fortalecer a atenção básica. Os postos de saúde são responsáveis pelo rastreamento realizado por meio do preventivo, chamado de PCCU ou Papa Nicolau.

Uma das iniciativas foi a criação do Programa Itinerante de Rastreamento de Câncer do Colo do Útero, lançado em dezembro pelo Governo do Estado, por meio da Sesacre. “O projeto vai atingir os 22 municípios.  Então nós aumentamos a nossa cobertura. A meta é atender 100% dessas mulheres nessa faixa etária de 25 a 59 anos, preconizada pelo Ministério da Saúde. A prevenção é a melhor solução, na hora que você aumenta a cobertura, você diminui a incidência daquele câncer”.

Ainda para Suely, as mulheres ainda apresentam resistência para se submeterem ao preventivo. “Há uma cultura muito enraizada e machista que faz as mulheres se recusarem a procurar o serviço. Algumas querem ser atendidas apenas por médicas mulheres. É preciso fazer um diagnóstico precoce, um tratamento oportuno de uma lesão precursora de câncer, e a partir daí você evita que esta mulher venha ter problemas mais graves no futuro”. (Rayssa Natani / Do G1/AC)


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