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A ideia da hora

Todos nós, viventes do Acre, começamos esta semana sentido alguma diferença na relação de horário entre atividades das nossas rotinas. Com o fim do horário de verão nos estados do Sul e Sudeste do Brasil, sentimos o impacto da mudança da hora sem nem precisar atrasar ou adiantar os ponteiros de nossos relógios.

Apesar dos  péssimos serviços das grandes empresas de telefonia, estamos conectados ao mundo globalizado, necessitando associar nossas rotinas à comunicação em tempo real, tanto na vida profissional quanto pessoal. Então a diferença de horário do Acre com todos os outros estados do Brasil é um verdadeiro transtorno, dificultando contatos de trabalho com outras praças, aquela aula por vídeo conferência, a ligação interestadual, até o momento relaxado da televisão, novela, futebol…

Enquanto se impõe ao Acre um horário tão discrepante por resistência às mudanças do mundo, o fim do horário de verão brasileiro volta a mostrar a gravidade desse erro. Domingo passado, quando o Sul e Sudeste do país atrasaram seus relógios em uma hora, a maior parte da população brasileira viveu um dia tranquilo e não se tem notícia de multidões passando mal ou perdendo noites de sono por dificuldades de adaptação. Todos ganharam um período de poupança de energia e sol claro por mais uma hora útil em seus dias. Por isso no próximo tem de novo.

Para nós, viventes do Acre, é que será novamente um transtorno voltar a ter, no próximo ano, um novo e longo período com menos três horas de diferença em relação a Hora Oficial do Brasil.

O horário de verão é uma boa ideia praticada no mundo inteiro. Também é uma boa ideia ajustar o horário do Acre ao fuso que vale para toda a Amazônia Brasileira, menos para nós. Faz todo o sentido igualar a nossa hora com Rondônia, Amazonas, Roraima, Mato Grosso e também o Mato Grosso do Sul. E já provamos, na prática, que é melhor viver com apenas uma hora a menos em relação a Hora Oficial do Brasil.

Vamos seguir defendendo as boas ideais. Mais cedo ou mais tarde, o tempo vira em favor delas.

* Gilberto Braga de Mello é jornalista e publicitário.
E-mail: [email protected]