Polícia Federal é acionada para garantir direitos de manifestação a indígenas no Acre

A sede do Conselho dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas foi fechada ontem por orientação do coordenador do Distrito do Alto Purus, Raimundo Costa. Ele ordenou o fechamento do prédio ao ser informado de uma reunião de indígenas nas dependências da unidade para tratar da qualidade da saúde indígena executada pelo Governo Federal na região. A situação só foi normalizada com a chegada da Polícia Federal.

Os indígenas que militam especificamente na causa da saúde exigem a saída do coordenador do Distrito do Alto Purus. “Nós viemos para uma reunião para tratar de assunto de interesse público e ele [Raimundo Costa], ao ser informado dessa reunião, manda fechar o prédio. Essa é uma situação que não pode ser admitida”, reclama a integrante do conselho Letícia Yawanawá. “Nós chamamos a imprensa para mostrar a nossa luta e para que ele também se posicionasse, mas ele manda fechar o prédio e nos prende aqui”.

“Hoje, o senhor Raimundo Costa mandou fechar (sic) todas as condições de trabalho da equipe multidisciplinar como combustível nos postos-base de saúde”, informou o líder indígena Ninawá Huni Kuin. “Ele não está dando condições de trabalho para as equipes”.

“Aqui, hoje, nós não estamos fazendo nenhum ato”, pontua o presidente do Conselho Distrital de Saúde Indígena de Santa Rosa do Purus, Sabá Haji Manchinery. “Nós viemos participar de uma reunião e o coordenador manda fechar o prédio. Não existe mais clima, não existe mais diálogo, não existe mais confiabilidade e também pela forma de gestão como este senhor tem tratado os povos indígenas”.

Sabá é cauteloso em afirmar sobre possíveis mobilizações para voltar a ocupar prédios públicos como forma de protesto, como ocorreu em 2011, quando representantes indígenas de todo Acre ocuparam a sede da Funasa por nove meses. Mas, diante do cenário, não descarta essa possibilidade. “Nós não planejamentos fazer nenhuma ocupação”, afirma.

“Nós não podemos nos omitir diante dos fatos. Se as próprias lideranças das comunidades, os próprios conselheiros estão pedindo uma mudança, nós estamos apoiando”, adverte o líder indígena. “Esse é o fato”.

Ontem, Ninawá Huni Kuin assegurou que, em função dos problemas de infraestrutura, quatro polos-base da região estavam fechados. São eles: os polos-base de Santa Rosa do Purus, Extrema, Pauini e Boca do Acre.

Na última quinta-feira, indígenas das etnias Apurinãs e Jamamadis ocuparam de forma pacífica a sede do polo-base de Saúde Indígena no Platô do Piquiá, em Boca do Acre.

Eles fazem as mesmas advertências que os “parentes” do Acre: excesso de burocracia para garantia de medicamento e acesso ao atendimento de média e alta complexidade e o comprometimento da infraestrutura dos polos por falta de agilidade entre a Secretaria Especial de Saúde Indígena e as ONGs responsáveis pelo repasse de recursos para manutenção dos polos.

A imprensa não teve acesso ao prédio do conselho ontem porque ficou impedida de entrar nas dependências da unidade. O coordenador Raimundo Costa não atendeu à imprensa. A assessoria da Secretaria Especial de Saúde Indígena, com sede em Brasília, foi acionada no fim da tarde de ontem. Aguarda-se para hoje o retorno dos pedidos de informações.

Assuntos desta notícia

Join the Conversation