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Rio Madeira atinge os 18,57 e faz Governo do Acre decretar situação de emergência

rio OL

Se o nível do rio não quer baixar em Rio Branco, na divisa do Acre com Rondônia ele insiste mais ainda em não perder volume. As medições do Rio Madeira de ontem fecharam o dia em mais de 18,57m, quase 10 cm a mais do que anteontem. E as previsões do Corpo de Bombeiros de Rondônia não são boas. Nas suas estimativas, os próximos 15 dias devem ser marcados por mais chuvas. Com isso, o Madeira deve atingir a marca crítica de 19,13m.

Devido a tal instabilidade nos rios tanto do Acre quanto do estado vizinho, o governador Tião Viana decretou situação de emergência no Estado (decreto no 7.093), no começo da noite de ontem, dia 26. A medida, segundo Tião Viana, será de caráter preventivo. Será tomada antes de o Estado vir a sofrer, de fato, uma crise no seu abastecimento. Uma alternativa para o poder público já vir a remediar esta situação, caso ela venha a se agravar.

Mais uma vez, o governador tranquilizou a população e disse que o governo está acompanhando a situação do Madeira e agindo no sentido de se precaver contra a possibilidade de um quadro mais crítico no abastecimento do Estado.

“Esse é o maior desastre ambiental que a Amazônia já viveu e temos uma situação de quase isolamento pleno, por via rodoviária, na BR-364 no lado de RO. O governo tem adotado todas as medidas com segurança, se antecipando as dificuldades que possam decorrer dessa provável obstrução da BR para a população. A decretação da situação de emergência vai nos permitir medidas administrativas ágeis  que possam colaborar mais ainda para a prevenção de  agravos  em qualquer ameaça que possamos ter de atendimento regular e justo para a população do Acre”, disse Tião.

Sobre a greve na Suframa, Tião Viana afirmou que conversou com o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Mauro Borges, e teve a garantia de que nenhuma carga ficará retida. O ministério fez um convênio especial com a Sefaz para que os caminhões distribuam as cargas no comércio local.         

Em Porto Velho e em mais distritos próximos, mais de 1.300 pessoas já foram retiradas de casa por causa da cheia no Rio Madeira. A cheia histórica também fez a Usina Hidrelétrica de Santo Antônio terminar de desligar, ontem, todas as suas turbinas em operação. Na semana passada, a usina desligou 11 das 14 máquinas por conta da inviabilidade de mantê-las funcionando pelo volume tão alto do rio. Nesta semana, a UHE desligou as 3 turbinas restantes. De acordo com o Operador Nacional de Sistema Elétrico (ONS), o desligamento foi uma medida de segurança. (Foto: Odair Leal/ A GAZETA)

Governo de RO interrompe recebimento de produção de soja

ITAAN ARRUDA

O governador de Rondônia, Confúcio Moura, já solicitou que Mato Grosso não envie mais carregamento de soja para Porto Velho. O Porto Público, utilizado como modal para escoar a produção para o Amazonas, já foi interditado em função da histórica cheia do Rio Madeira. A última medição feita agora pela tarde registrou 18,55m.

A expectativa dos técnicos da Defesa Civil Nacional é que na segunda-feira o nível das águas alcance 19,10m. A previsão é de mais chuva para a região. Caso isso ocorra, o trânsito na BR-364 deve ser fechado, inclusive para os comboios que, por enquanto, evitam uma crise de abastecimento no Acre. A estrada é o único meio rodoviário de ligação do Acre com as demais regiões do país.

O atual nível das águas do Madeira justificariam, às autoridades rondonienses, a decretação de ‘estado de calamidade pública’. Isso só não ocorreu ainda porque, tecnicamente, o estado de calamidade exige que se tenha morte ou epidemia relacionada ao fenômeno natural. Essa informação foi repassada ontem, durante agenda do ministro da Integração nacional, Francisco Teixeira, em Porto Velho.

Já o gabinete civil do governo acreano avalia a possibilidade de decretar Estado de Emergência. Essa situação permitiria ao Acre comercializar com o Peru produtos básicos para abastecimento.

“É possível encontrar trigo, por exemplo, a menos de 1.500 km de Rio Branco, no Peru, enquanto atualmente a comercialização ocorre a mais de três mil”, compara o presidente da Associação Comercial do Acre, Jurilande Aragão.

Em reunião com empresários realizada esta semana, o governador Tião Viana orientou. “Cuidem das relações com as empresas peruanas que eu seguro as pontas aqui”, teria dito o governador aos empresários presentes à reunião. “O que importa é garantir o abastecimento”.