Let’s speak

A Copa do Mundo deste ano servirá para atestar a qualidade do inglês como segundo idioma aqui no Brasil? Certamente que sim, mas o Mundial não deve ser considerado como parâmetro da avaliação para a língua, que cá pra nós, já é capenga há muito tempo no país.

Partindo para um âmbito geral, é preciso dizer que aprender uma língua leva anos e exige muita paciência. Mas é desculpa esfarrapada afirmar que o inglês, em especial, é um idioma difícil. Não é e vou dizer por que.

Porque de acordo com os linguistas, as pessoas são mais suscetíveis a apender um idioma que está presente no cotidiano delas. Este é o caso do inglês.

É claro que idiomas de mesma origem são mais fáceis de assimilar. Caso do espanhol e italiano, do ramo latino, o mesmo do português. Daí, não se admire quando conseguir se salvar com misturebas linguísticas do tipo: “Me gustaria comer puerco”, ao invés de “cerdo” ou “chancho”, que é porco em espanhol.

E por que puerco? Porque “porco” parece com a palavra “povo”, cuja tradução no espanhol é “pueblo”.  Imagina-se então que se “povo” é pueblo, porco só pode ser “puerco”. 

Voltando para a língua inglesa, percebemos que, embora de origem anglo-saxã, ela sofreu influencia severa do latim e por isso, não será difícil de compreendê-la. E a usamos, de uma forma ou de outra, como complemento do idioma pátrio informal.

Quando, por exemplo, afirmamos: “Vou pegar o rango”, a palavra rango vem de hungry, que significa fome. Ou quando pedimos: “Faz aí um X-egg?”, a letra X é uma redução da palavra “cheese”, que significa “queijo” em inglês. Então seria um hambúrguer de ovo e queijo? E a palavra “burger” ou “hamburger”, de onde vem? Há ainda muitas terminações latinizadas, como por exemplo: institution – instituição, perception – percepção, medicine – medicina, e por aí vai. Elas facilitam ainda mais o aprendizado da língua da Rainha Elizabeth.

No Acre, é inegável o esforço das instituições públicas de ensino para que mais jovens ingressem nos estudos do idioma e se aprofundem nele.

Há, por exemplo, o Programa Inglês Sem Fronteiras, gerido pela Ufac, que oferece oficina para estudantes interessados em se submeter ao teste de proficiência, também conhecido como Toefl ITP. Os milhares de vagas oferecidos pelo Centro de Estudo de Línguas, o CEL, administrado pela Educação estadual é outro exemplo.

O CEL está voltado a estudantes da rede pública e tem como um dos objetivos justamente este, estimular seus alunos a seguirem a carreira de professor de inglês. A ideia seria incentivar aqueles estudantes mais aplicados a, quando terminarem o ensino médio, procurarem o curso de Letras da Ufac e depois, continuarem lecionando nas escolas públicas.

A carência por professores de inglês é latente e uma das prováveis soluções seria justamente o incentivo à docência para interessados em se profissionalizar no idioma.

* Resley Saab é jornalista.
E-mail: [email protected]

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