Tambor neles

Não dá para começar este texto de outra forma que não seja com um grande PARABÉNS. Sim, porque o poder público e especialmente a polícia de trânsito finalmente conseguiram pegar, de novo, os membros do grupo conhecido como Gangue do Tambor. Assaltantes ‘especializados’ (e infelizmente criminosos hoje começaram a ‘se especializar’ em determinados tipos de delitos) em arrombar o tambor de fechaduras de portas e furtar nossos lares na calada da noite.

Cansei de escrever artigos sobre casos policiais ou sobre a criminalidade na Capital! Só que, as vezes, quando avaliamos os assuntos da semana fica difícil, até meio displicente, opinar sobre outro assunto que não seja neste segmento. E o pior é que o leque de subtemas na área está se tornando tão extenso que já chegou a um ponto atrativo e até pessoal demais ao cidadão acreano, nossos leitores. Afinal, quem nunca foi ou tem alguém próximo que já foi assaltado?

É indiscutível que nos bastidores do mundo do crime, a maior afronta à polícia desta semana foi a tal da Gangue do Tambor. Enquanto a população se distraía com a alagação, haitianos, a decisão do STF dos 11 mi servidores e a vinda do ministro José Eduardo Cardozo, o bando não descansou. Aproveitou para agir e comprovou que, para bandido, não existe distração.  
Primeiro, numa ação no mínimo ‘ousada’, o bando invadiu a casa do vereador e presidente da Câmara Municipal, o professor Roger Correa. Levaram objetos pessoais, documentos e só não levaram o seu carro porque não acharam o controle do portão. Isso na madrugada de quinta-feira. Era de se esperar que eles dessem um tempo. Não deram. Um dia depois, o bando teria assaltado uma loja de eletrodomésticos e levado mais de 50 celulares.

E estes foram os casos conhecidos. Na surdina, sabe-se lá quem mais eles assaltaram…

Virou palhaçada! A polícia ia cair no descrédito se os jornais estampassem em suas capas mais um grande e impune roubo do bando. E uma polícia não pode perder o respeito diante das pessoas a quem é seu dever servir. Por isso, agiu rápido e, na madrugada de ontem, pegou o bando no flagra, tentando fazer mais uma loja de eletrônicos de alvo. Mais uma pro currículo. Os assaltantes ainda tentaram fugir (‘gênios do crime’?), mas acabaram capotando o carro.

Os desdobramentos deste caso todo servem para o Acre saber que nossas forças policiais não se omitem. Elas agem. Bandos como este, o do Tambor, acabam presos. Como num filme, eles levam vantagem no começo do enredo (e muitas vezes nem neste começo eles conseguem se safar), mas no fim acabam levando a pior. O único problema é que a vida é diferente da ficção. A luta contra o crime não é simples e nem tem fim. É constante. Vivida no dia a dia. Com vítimas e agressores. E, se a lei dá todo o amparo para que o trabalho de enfrentamento seja realizado, esta mesma lei torna tudo mais complicado quando solta bandidos. Um grande ciclo vicioso.

Agora, sobre a gangue, só nos resta saber uma coisa: será que os 5 garotos (você já viu a foto deles?) do bando presos neste sábado ficarão mesmo atrás das grades?       

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]


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