Descobriram o Acre

Estão afirmando que os bandidos descobriram o Acre. O desenvolvimento, apesar de tardio, trouxe as mais absurdas formas de crime. Não que antes do aumento das estradas asfaltadas, do comércio fortalecido e dos numerosos carros disputando corrida no trânsito louco atual, fosse tudo um paraíso. Coisas erradas existem em todos os lugares. No entanto, não dá para ler os noticiários sem que essa ideia passe pela cabeça.

Após os vários assaltos, explosão de caixas eletrônicos e assassinatos por acerto de contas, a semana começa com o roubo de um carro dos Correios, em Rio Branco. O caso não aconteceu à noite, na escuridão de alguma rua periférica. Na verdade, foi durante o dia e em uma rua muito conhecida e movimentada. As investigações apontam que o veículo de entregas estava sendo seguido e estudado antes da ação.

Com o carro, também se foram aproximadamente 120 produtos. O prejuízo ainda não foi somado pela empresa, mas em caso de encomendas com valor sentimental, infelizmente, a substituição é impossível.

Ou esses criminosos estão tendo aula com a televisão ou estão vindo de outros locais do país. Não me surpreende os mais velhos viverem repetindo que na época deles não era assim.
Já que os crimes estão progredindo, as leis deveriam fazer o mesmo. Não adianta nada a polícia agir sem que haja uma punição adequada aos infratores. Vamos lá. A sociedade clama por isso. Chega de ser assaltado na volta para casa, de ser estuprado, violentado, assassinado, de ser vítima de gente que não sabe o que é trabalhar para conquistar as coisas e não dá a mínima para o valor da vida.

Essa questão não me deixa passar pelo fato de que nós temos certa parcela de culpa. Quando digo ‘nós’, refiro-me a todos, desde o político corrupto, o servidor que finge trabalhar, os empresários egoístas, até os demais membros da população.

Desculpe-me os radicais, mas dizer que ‘bandido bom é bandido morto’ é se rebaixar a um nível mais baixo do que as águas do Rio Acre no período de estiagem das ‘brabas’. Somos responsáveis pelos jovens carentes da nossa comunidade. Apontar o dedo é bom, mas ajudar um adolescente próximo à criminalidade é deplorável? Veja só, quanta arrogância exala disso!

* Brenna Amâncio é jornalista.
E-mail: [email protected]

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