Atendimento em saúde mantém rotina em bairros alagados: solidariedade e ações efetivas mantém cidade em pleno funcionamento

 Para quem vive a rotina do atendimento às famílias vítimas da alagação, a cheia do Rio Acre é a um só tempo um flagelo e uma lição de solidariedade. Como que em um grande adjunto, aparecem voluntários de todos os lados, força de vontade e altruísmo realçam a resiliência, a capacidade que o acreano tem de superar situações dramáticas. Personagens distintos, como o empresário Wilson Bezerra, ou a enfermeira Sulamita Guedes e o barqueiro Geneci Alves, tem suas vidas cruzadas na pesada batalha para ajudar os outros –e isso aconteceu nesta quarta-feira, 12, quando Bezerra, voluntário na força-tarefa que atua no bairro do Taquari, pilotou o barco de sua propriedade, o Brisa da Noite, para levar Sulamita à rua Lourival Ribeiro, perto da Ponte do Taquari, onde está atracado o batelão de Geneci, que acolheu o aposentado Luiz Gonzaga, velho amigo, enquanto este se recuperaria de um mal-estar. A sensação ruim não passava, mas o batelão recebeu a visita de uma agente comunitária de saúde da Unidade Básica de Saúde Maria Andrade, vinculada à Unidade de Referência em Atenção Primária (URAP) Claudia Vitorino, onde Sulamita é diretora-geral.

 A ACS acionou sua chefe, Jeane, coordenadora da UBS, que pediu apoio à URAP. Sulamita aferiu a pressão arterial de Luiz Gonzaga e constatou que estava elevada -16/10 –e determinou que ele fosse imediatamente levado para a URAP, onde receberia tratamento especializado. Outros voluntários concluíram a operação de remover Luiz Gonzaga e Geneci, em quem também acabou se constatando necessitar de avaliação médica.

 Geneci mora no batelão e acolheu Gonzaga, que teve a casa alagada também. Os exemplos de solidariedade se espalham pela cidade, pelo Estado. Wilson Bezerra, por exemplo, passou a semana passada em Brasiléia, cidade que sofreu muito com a cheia do Rio Acre. Com recursos próprios, Bezerra disponibilizou o Brisa da Noite para ajudar no transporte de pessoas e materiais em Brasiléia e esta semana o trouxe para Rio Branco, onde atua no Taquari.

 Wilson Bezerra compõe com o cabo Erivelton, do 4º Batalhão de Infantaria de Selva, as imagens mais marcante deste período tão sofrido não somente para quem mora nos bairros afetados como a todos os moradores de Rio Branco. Ao ajudar uma família ser removida do Taquari para casa de parentes, Erivelton tomou um bebê de seis meses que estava no ´baby confort´ levando-o para local seguro com a mãe.

 O Taquari tem cerca de 80% de sua área coberta pela água. Quadras esportivas, escola e unidade de saúde estão com suas operações prejudicadas pelo aguaceiro que tomou conta do bairro, mas solidariedade e ações efetivas não faltam para ajudar as famílias a superarem tão grave situação.

 Assim, não é correto dizer que “a cidade parou” por causa da cheia. “Aqui no Taquari estamos com atendimento normal. Tanto o Claudia Vitorino quanto a nossa UBS Maria Andrade não foram atingidas pela enchente e o atendimento interno e externo é normal”, disse Jeane Moura, coordenadora da UBS.

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