Cerca de duas mil toneladas de produtos peruanos já entraram no Acre

 Com a cheia do Rio Madeira, que deixou o estado isolado, via terrestre, do restante do Brasil, decretou-se estado de emergência no Acre. Dessa maneira, a Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) baixou uma resolução autorizando empresas acreanas a realizar o transporte de mercadorias oriundas do Peru, por 90 dias.
Com essa nova medida, o comércio entre o sul do Peru e o Acre, que já vinha ocorrendo timidamente, ganhou forma nos últimos dias, e cerca de duas mil toneladas de produtos peruanos já entraram no estado.

 Carretas com cimento, vergalhões, farinha de trigo, hortifrutigranjeiro e oxigênio hospitalar começaram a ser negociados e enviados ao Acre por meio da Interoceânica.
Antes, o oxigênio utilizado nas unidades de saúde chegava por intermédio de voos da Força Aérea Brasileira (FAB). Porém, no último sábado, 22, o primeiro carregamento, com 15 mil metros cúbicos do produto, passou pela fronteira em Assis Brasil.

 A construção civil do estado, que já importava cimento do Peru, intensificou o pedido do produto, e cerca de 1.300 toneladas saem de Iñapari, município peruano que faz fronteira com Assis Brasil, com destino ao comércio acreano.

 Gêneros alimentícios, como hortifrutigranjeiro, também estão passando pela fronteira e abastecendo o comércio local.  A estimativa é de que o prazo de 90 dias, estipulado pela ANTT, se estenda, uma vez que o Rio Madeira não apresenta vazante e não há previsão de abertura da BR-364, trecho que liga Rio Branco a Porto Velho.

“A cheia do Madeira deixou claro que o Acre precisa de alternativas de abastecimento, e a Interoceânica é uma dessas. Nossa luta agora será fazer com que essa resolução da ANTT não seja apenas por três meses, mas permanente”, afirma o secretário adjunto da Sedens, Fabio Vaz.

 As negociações comerciais entre Brasil e Peru são realizadas pela Casa Civil, Secretaria de Desenvolvimento Florestal, da Indústria, do Comércio e dos Serviços Sustentáveis (Sedens), Centro de Desenvolvimento de Importação (Cedex Peru) e Ministério do Comércio Exterior do Peru, de forma a proporcionar valores competitivos e produtos de qualidade a serem ofertados.

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