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Líderes religiosos e Instituto ecumênico visitam abrigo dos haitianos em Brasiléia nesta quarta

Haitianos - OL 1A solidariedade pode ser prestada a quem necessita de diversas formas. Pode ser oferecendo alimentos, água, um lugar para morar e oportunidades. E também deve ser espiritual. Para garantir ajuda religiosa aos haitianos, o Instituto Ecumênico Fé e Política do Acre (IEFP) se uniu a lideranças religiosas de diversos segmentos e formou uma caravana ecumênica. Com o apoio da Faculdade Betel, que garantirá o transporte, o grupo fará uma visita hoje, dia 19, ao abrigo dos haitianos em Brasiléia, que fica a cerca de 230 km da Capital.

A comitiva será formada pelo padre Mássimo Lombardi, reitor da Catedral de Rio Branco; padre Francisco Albino (da Betel); padre Cid Mauro; de diretores do Instituto Ecumênico (entre eles o secretário geral, Manoel Pacífico); Mãe Raimunda Barros; Ogan Leandro Silva além de representantes da pastoral diocesana do negro e das religiões de matrizes africanas.

De acordo com o teólogo Manoel Pacífico, o objetivo da visita será levar solidariedade às vítimas da tragédia natural no Haiti e começar a abrir os olhos de organismos internacionais e políticos de todo o Brasil de que o país caribenho precisa de ajuda para ser reconstruído. Pacífico acredita que as instituições religiosas devem se unir e fortalecer esta bandeira de reforma do Haiti.

Em Brasiléeia, a caravana irá ampliar os contatos com as lideranças religiosas, autoridades do município e com os próprios haitianos. No final da visita, eles farão um grande culto ecumênico. 

“É uma situação difícil a que eles viveram lá em sua capital, Porto Príncipe. Uma cidade com 2 milhões de habitantes e dos quais cerca de 1,5 milhão foram atingidos pelo terremoto no início de 2010. Hoje, mais de 300 mil haitianos lá vivem em abrigos. Por isso, decidiram mudar de vida no restante do mundo. Aqui no Acre, durante este período de cheia do Rio Acre, abrigávamos cerca de 2 mil deles. Isso precisa mudar. Eles precisam reconstruir sua casa. Neste sentido, vamos reunir as lideranças para empunhar esta luta em prol deles”, ressaltou Pacífico.

Ainda ontem, líderes religiosos do Acre escreveram um manifesto inicial sobre esta corrente de reconstrução da pátria haitiana. Segue o texto na íntegra:

Manifesto de igrejas e centros religiosos pela reconstrução do Haiti
Diante da insensibilidade de organismos internacionais e de lideranças políticas das principais nações do mundo, o Instituto Ecumênico Fé e Política – Acre conclama as lideranças religiosas e políticas do país e de organismos internacionais a encarar o sério desafio da Reconstrução do HAITI, atingido pelo trágico terremoto ocorrido em 12.01.2010.

Passados esses três anos, Porto Príncipe, a capital, convive ainda com o desemprego e a precariedade de serviços essenciais, além de 350.000 de seus habitantes viverem em 496 campos de refugiados. O fluxo migratório de milhares de haitianos para outros países é mais uma consequência dessa tragédia que se abateu sobre esse país.

Nossa consciência de cidadãos e de pessoas de fé não pode calar-se diante dessa dolorosa situação vivida pelo povo haitiano. O Estado do Acre recebeu nesses últimos anos quase 20.000 haitianos, deixando o pequeno município de Brasiléia, porta de entrada desse fluxo, estrangulado em seus serviços essenciais. Nessas condições, apesar da ajuda do poder público estadual e municipal, com apoio do Governo Federal, propiciar atendimentos básicos de acolhida e de regularização de documentos, pela dimensão deste fluxo migratório, esta ajuda é insuficiente e as condições destes serviços  são precárias.

Urge, portanto, de parte de lideranças nacionais religiosas, autoridades brasileiras e de instituições e organismos internacionais como a OEA e a ONU, providências á altura dos desafios sociais e econômicos enfrentados pelo Haiti.

A Reconstrução do Haiti, monitorada por organismos internacionais, através do próprio governo do Haiti e do empresariado daquele país poderá contar com o aporte de recursos financeiros substanciais, gerando milhares de oportunidades de geração de emprego e renda e fazendo renascer a esperança no coração de milhares de trabalhadores.

Por estarmos de comum acordo com esta bandeira da Reconstrução do Haiti, subscrevemos este Manifesto.

(Foto: Odair Leal/ A GAZETA)