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Tião Viana defende Wolvenar Camargo em nomeação como secretário especial do governo

O governador Tião Viana convidou a imprensa na tarde de ontem, 18, para esclarecer a nomeação do ex-secretário de Obras do Estado, Wolvenar Camargo, acusado de participar da Operação G-7, deflagrada pela Polícia Federal, como assessor especial do governo. Na ocasião, também foi realizada a assinatura da Ata de Posse, no gabinete da Casa Civil. Tião acusou a operação de ser um golpe contra a honra do governo e culpou a grande mídia nacional por difundir a injustiça.

Dez meses após a Operação G-7 ser deflagrada pela PF, ainda não foram apresentadas denúncias concretas contra os acusados, aponta Tião Viana. Na época, 15 pessoas, entre empreiteiros, secretários estaduais e servidores, foram presas. Todas indiciadas por crimes de formação de cartel, falsidade ideológica, corrupção ativa e passiva, formação de quadrilha, fraude em licitação e desvio de verbas públicas.

Wolvenar Camargo chegou a passar 40 dias preso. Neste período, precisou ser deslocado algumas vezes ao hospital, devido a problemas de saúde.

Semanas após o escândalo, o governador anunciou a exoneração do ex-secretário de Obras. Nove meses depois, para reparar o que considera uma injustiça, Tião o convidou para ser o assessor especial do governo até conseguir devolvê-lo ao cargo anterior. “Wolvenar enfrentou diabetes. Sua vida profissional foi interrompida, picotada e jogada ao vento. A política tem dessas coisas do submundo. Mas sei da sua competência, dignidade e responsabilidade. Por isso, quando o processo for arquivado, eu devolverei o seu cargo de secretário de Obras”, promete.

Tião acredita que a Operação G-7 foi um plano para desmanchar o trabalho de governo e um ataque pessoal a ele. “Quero que apresentem denúncias, pois não temos medo delas”.

O ex-prefeito de Rio Branco, Raimundo Angelim, também salientou a importância do trabalho desenvolvido por Wolvenar durante a gestão do PT. “Aprendi muito com ele. A Unidade de Tratamento de Resíduos Sólidos, a Rodoviária Internacional, a Praça da Revolução e a OCA são obras que possuem o olhar dele. Um homem que poderia estar rico se não tivesse optado pelo serviço público”, afirma.

Wolvernar agradeceu o apoio e se pronunciou, por meio de uma carta, onde descreveu algumas das coisas que enfrentou nesse tempo:

“Até então, o que foi feito com a gente foi uma injustiça. Depois de 10 meses desse processo, não tem nada que comprove a nossa culpa. E não vão encontrar nada, porque não existe a situação. Fomos presos com base em indícios de escutas telefônicas, depois de 20 meses de investigações. Agora, 10 meses depois que isso aconteceu, não existe nada que prove que cometemos o ilícito. Sou uma pessoa digna e honesta. Infelizmente, fui colocado como bandido e preso sem dever nada. Até agora não me provaram o motivo da minha prisão. Com isso, 15 famílias foram destruídas. Esperamos que este processo possa ser concluído para provar a nossa inocência”, declara.

Como assessor especial, Wolvenar explica as suas atribuições. “Poderei atuar em qualquer área, dependendo da necessidade do governador, pois ele tem outros assessores. Como sempre trabalhei na área de obras, posso assessorar isso, como qualquer outra. Estou pronto para atender as demandas”, determina.

Indagado sobre a imagem negativa que a atitude poderia gerar em sua gestão, o governador alega que não tem medo do que possam pensar. Para ele, o medo existe em não ser verdadeiro, justo e de não agir em defesa da dignidade dos seus atos.

Ainda sobre a Operação G-7, Tião acusa a grande mídia por espalhar falsas informações. “Não devemos baixar nossas cabeças diante da Globo (emissora de televisão). Eles chegaram a alegar que o meu sobrinho, Thiago Paiva, vivia em um apartamento de meio milhão de reais, no terraço. Provamos que o local possui o valor de 97 mil reais, devidamente financiado. Após tanta exposição, o Thiago nem quer mais seguir no trabalho público”, aponta.

O governador afirma que aguarda um pronunciamento final da Justiça para definir o futuro de outros secretários da sua gestão que foram acusados pela PF. “O Gildo Cesar prefere esperar na condição de casa, de família. E o Aurélio Cruz ainda não tomou uma posição quanto à sua condição de vida pública, pois ele é também um servidor da Caixa Econômica Federal”, explica.