Síndrome de Reye: o uso exagerado de paracetamol pode desencadear o aparecimento da doença

A Síndrome de Reye é uma doença rara e grave, muitas vezes fatal, que causa inflamação do cérebro e rápido acúmulo de gordura no fígado. Manifesta-se geralmente por náuseas, vômitos, confusão ou delírio.

A doença foi descrita pela primeira vez em 1963 na Austrália, durante uma epidemia de gripe e, de acordo com Calvani (2000) as principais características são um quadro viral, como gripe ou catapora, pelo uso de salicilatos para controle dos sintomas, encefalopatia metabólica progressiva, com edema cerebral e hipertensão intracraniana, irritabilidade  e insuficiência hepática, podendo evoluir com falência neurológica e hepática seguida de falência de múltiplos órgãos e óbito.

Conforme relatado pela maioria dos autores consultados a doença não é contagiosa e sua incidência em adultos é rara. Contudo, Pereira (2011) assinala que a doença afeta todas as idades, ambos os sexos e raças e acrescenta: “Apesar de ocorrer mais frequentemente em crianças, ninguém está imune à doença”. Vale ressaltar que a doença tem cura se diagnosticada precocemente.

Nos Estados Unidos, a doença afeta menos de 20 crianças a cada ano. No Brasil os números são desconhecidos.

Alguns autores afirmam que a Síndrome de Reye costuma ocorrer na época invernosa. Outros autores como Pereira (2011) entendem que ela pode acontecer em todos os períodos do ano e não somente nos meses de inverno.

CAUSAS   
As causas da Síndrome de Reye relacionam-se com certos vírus, a exemplo do vírus da gripe ou catapora, e o uso de aspirina ou medicamentos derivados dos salicilatos para tratar febre em crianças com essas infecções. O uso exagerado de paracetamol também pode desencadear aparecimento da Síndrome de Reye.

Entre outros medicamentos com o mesmo princípio ativo do paracetamol estão: AAS, Cibalena, Melhoral, Aspirina, Engov, Sonrisal, Coristina.

SINTOMAS
É bastante comum os sintomas da Síndrome de Reye conforme afirma Reis (2014) iniciarem abruptamente, isto é, entre 5 a 7 dias após o início da enfermidade viral. Dentre os sintomas relacionados pelos especialistas se encontram:

* Dor de cabeça;
* Mudança de personalidade;
* Desorientação;
* Irritabilidade;
* Vômitos;   
* Sonolência;
* Delírio;
* Visão dupla;   
* Falência hepática.
* Alterações mentais que podem levar a irritabilidade, delírios, agitações, convulsões e até mesmo coma.

DIAGNÓSTICO
O diagnóstico da Síndrome de Reye é obtido através da análise dos sintomas apresentados pela criança, biópsia ao fígado ou punção lombar.

Como não há exame diagnóstico específico, Calvani (2000) assevera que a Síndrome de Reye pode ser confundida com uma série de outras doenças como: overdose de droga, envenenamento, encefalite, meningite, diabete, síndrome de morte infantil súbita, doença mental e encefalopatia.

TRATAMENTO
Não há tratamento específico, apenas suporte intensivo, que consiste em controlar as funções do coração, pulmões, fígado e cérebro da criança e suspender imediatamente a administração de aspirina ou medicamentos relacionados com o ácido acetilsalicílico.

Assim sendo, são utilizados medicamentos com o fim de reduzir a pressão intracerebral, ou seja, são administrados líquidos com eletrólitos por via endovenosa e glicose para manter o equilíbrio no funcionamento do organismo. Ministram-se ainda, a vitamina K para prevenir a hemorragia. Os medicamentos como manitol, corticosteroides ou glicerol também estão indicados para o caso.

* Terezinha de Freitas Ferreira é doutora em enfermagem pela Universidade de São Paulo – USP. Professora associada do Centro de Ciências da Saúde e do Desporto – Ufac. Consultora Editorial da Revista Brasileira em Promoção da Saúde da Unifor e Revista de Saúde.com, da Uesb.

* Daiana de Freitas Ferreira é enfermeira graduada pela União Educacional do Norte – Uninorte. Especialista em Enfermagem do Trabalho pelo Centro Universitário Mauricio de Nassau.
* Daniela de Freitas Ferreira é fisioterapeuta. Especialista em Traumatologia Osteo-Articular pelo Centro Universitário Claretiano de São Paulo – Ceuclar. Trabalha na Fundação Hospital Estadual do Acre.

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