Ele merece

Quantos acreanos podem dizer que já receberam elogios de dois craques de uma das melhores seleções brasileiras a ganhar uma Copa do Mundo? Só um: Gessé. Primeiro, foi o maior jogador do futebol brasileiro (muito provavelmente do mundo) a tecer elogios: Pelé. Agora, o capitão do tri, Carlos Alberto Torres, também entrou na onda da campanha #gessenopuskas.

Se o Darth Vader pudesse falar alguma coisa hoje, na II Mostra Star Wars que acontece no Theatro Hélio Melo, certamente ele diria: ‘Gessé, venha para o lado negro da força’!

E as ‘babações’ não são para menos. Foi realmente um golaço. Daqueles tipos de gols que as pessoas presentes no estádio devem, um dia, num futuro bem distante, contar para seus netos o que viram. Relembrar os detalhes e inventar um pouco sobre o que aconteceu para aumentar o orgulho acreano de ter presenciado um dos melhores lances do nosso futebol.

Muitos podem esquecer, até o final do ano (talvez até o final do mês), que o centroavante do Atlético Acreano fez o que fez. Estes podem ser os 15 minutos de fama de Gessé. Talvez nem do banco de reservas do Atlético/AC ele saía. Mas a verdade é que uma proe-za como o gol dele deve ficar marcado para sempre na história do futebol acreano. Inclusive, talvez seja de atrativos como este que o Acre precisa para despontar no esporte. Ou só aparecer mesmo.

Futebol não é uma paixão nacional só por causa do jogo técnico, dos craques, das rivalidades e das disputas acirradas no campo. O que torna o esporte tão popular são os mitos, as bolas na rede, a emoção, a arte de fazer o impossível. E Gessé o fez. Seu gol merece entrar no hall da fama do mundo da bola. E nós, acreanos, somos os principais responsáveis por fazer o lobby para isso.

Talvez Gessé não ganhe o tal do troféu Puskas (para quem não conhece, foi um jogador da Hungria, considerado o maior da história deste país, que jogou na década de 50 e 60 e fez história como ídolo do Real Madri/ESP) de gol mais bonito da Fifa. Talvez não entre nem entre os selecionados. Mas isso não diminui a beleza do gol, e tampouco deve diminuir nossa admiração pela façanha.

Se nosso futebol tivesse mais investimentos, deveriam reprisar o gol de Gessé em telões e, em mais perspectivas ou em reconstruções gráficas e coisas do tipo, na frente do estádio. Se algum dia (numa galáxia muito longínqua e distante) tivéssemos um tipo de museu – ou até sala mesmo – do futebol acreano, o feito de Gessé merecia uma réplica 3D ou uma projeção computadorizada.

Mas, em resumo, o que precisamos mesmo é aprender a valorizar mais o que é nosso. Outra maravilha pode acontecer no nosso esporte e temos que estar bem atentos e receptivos para superar nossas dificuldades e carências esportivas e bancar mais campanhas para eternizar proezas históricas. Afinal, se nós não vendermos nossos peixes, quem vai vender?

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]

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