Ensino superior

Às vésperas de mais uma edição do Enem, o Exame Nacional de Ensino Médio, o desinteresse é grande em parte dos estudantes por um curso superior. Na parcela que tem vontade, raríssimos os que pensam na Ufac como objetivo. Muitos podem pagar por uma faculdade particular, que em quase na sua totalidade é pífia, superficial.

Uma pena porque, em tese, é na vida acadêmica que está o cerne do conhecimento, a oportunidade da pesquisa e de projetos por uma sociedade melhor. A formação acadêmica é uma maneira eficaz de se construir  pessoas para um Acre que precisa avançar em qualidade de vida e que já se esforça para crescer.

Vivemos um momento em que as expectativas se voltam para o desenvolvimento regional. A ZPE, como já mencionada tantas vezes, é uma delas. Há um esforço tremendo da parte de técnicos do Governo para fazer esta roda girar. Eles encontram resistência de parte dos empresários de fora por questões estratégicas, mas os primeiros passos já estão bem adiantados.

Porém, tão essencial para o desenvolvimento regional quanto o convencimento das empresas de se assentarem aqui deve ser o ânimo de nossos jovens para prosseguir os estudos e, quem sabe, suprir a mão de obra que tanto essas empresas vão precisar.

No Acre, não existe uma cultura de competição entre jovens pela melhor vaga na federal. Enquanto em outros estados, adolescentes costumam estudar até nove horas por dia para passar numa faculdade pública, aqui se contentam com uma privada. Como resultado, cursos como o de medicina da Ufac, por exemplo, têm a sua maior quantidade de vagas preenchidas por jovens de outros estados.

O Enem uniformizou as igualdades para aqueles que diziam que o vestibular daqui era fraco, quando jovens de outros estados passavam facilmente. E agora? As faculdades particulares vêm com o discurso de melhor acessibilidade e isso é maravilhoso: para quem pode pagar e finge estudar. Pregações mundo afora para captar empresas não adiantam se faculdades daqui teimam em entupir salas com a única finalidade de um canudo.

Que o diga um amigo que descobriu que no seu curso de arquitetura, o professor usa material da Wikipedia, o site em que todos podem postar alguma coisa – inclusive minha filha de oito anos, se souber e se quiser.

Disso tudo, o que se faz necessário é que os pais estimulem seus filhos a querer mais, acompanhando os seus estudos na escola e garantindo que seus passos se acertem rumo a um futuro promissor. Afinal, preocupar-se com eles já é um começo para uma sociedade mais igualitária.

* Resley Saab é jornalista.
E-mail: [email protected]

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