Escolha o melhor

Hoje é domingo de eleições. Um grande dia para a democracia. Não só para festejá-la, como muitos gostam de dizer. Mas, principalmente, para exercê-la com sabedoria. E quem vota com tal consciência, sabe o que faz. Sabe seu papel enquanto cidadão. Não trata seu voto como um fardo. Não vende, não desperdiça e nem o prostitui. Simplesmente vota. Sem medo de ser feliz.

A obrigação do voto é um tema pertinente para hoje. Se o direito de escolher é uma vitória do povo, então por que somos obrigados a fazer esta escolha? Por que ela não é livre?

Em primeiro lugar, não somos obrigados. Votar é um direito. E um direito não se limita apenas a benefícios. Tem suas obrigações também. E a obrigação do eleitor é participar do processo, a qualquer custo. E nele se faz uma escolha. Se você não tem certeza desta escolha, então é pra isso que existem os votos brancos e os nulos. Mas deixar de participar não é opcional.

Veja bem. Era o ano de 2010. O dia amanheceu fechado. E com cara de que não ia se abrir. O céu com um tom acinzentado dava o prenúncio de chuvas. E assim o foi. O dia inteiro. Choveu e ‘serenou’ várias vezes. O tempo ficou ameno e fresco na maior parte do dia.

Fui para o trabalho cedo para esquematizar como seria a cobertura jornalística daquele dia. Eram minhas segundas eleições trabalhando como repórter. Nas ruas não vi muitas situações destoantes da legalidade do pleito. Não vi bandeiraços, nem grupinhos de militantes perto das urnas. Não vi aliciadores de votos e tampouco dinheiro correndo solto. Nada disso.

Vi pessoas na fila para a votação estressadas. Como se aquilo fosse apenas uma obrigação, e nada mais. Votos forçados que não expressavam em nada à conquista do direito a escolher quem comandará nosso Acre pelos próximos quatro anos. Por outro lado, algumas pareciam felizes. Conversavam e riam como se o voto não lhes deixasse carga nenhuma. Dever nenhum. Elas, aparentemente, sabiam quais números apertar na urna. Estavam convencidas. Convictas.

A campanha correu bem. No fim, o povo escolheu, democraticamente, seus representantes. Até hoje alguns dizem que aquele 3 de outubro de 2010 foi um dia atípico. Um lado diz que as eleições foram silenciosas. Que o povo deu sua mensagem nas urnas. O outro lado, mau perdedor, preferiu acreditar que foi tudo roubado. Que nada daquilo valeu. Que não houve democracia.

Nenhuma das visões vale. Para o eleitor nada disso importa. Importar votar. E isso ele fez.

Em outras palavras, acima de todas as posições partidárias, só o que prevalece neste domingo é a democracia. Políticos falam. Eles sempre vão falar, perdendo ou ganhando. Mas o destino verdadeiro está com nossa sensibilidade hoje diante das urnas. Eleja o melhor. Não se deixem ser enganados. Vote pelos motivos certos. Vote pelo melhor.

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]

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