Nova união

Domingo passado, ainda tão próximo e já histórico, os brasileiros escolheram o presidente da República pela sétima vez consecutiva. É algo extraordinário para a nossa República ainda marcada pela fragilidade institucional, mas que a cada eleição livre se fortalece na democracia.

Só de 1989 para cá os brasileiros escolhem seu presidente pelo sufrágio universal, com todo homem e mulher acima de 16 anos de idade tendo direito a um voto secreto. Quer dizer, em 514 anos de país descoberto por Cabral, em 192 de pátria independente e em 125 anos de República, temos somente 25 anos de democracia mesmo para todos os brasileiros.

Foi uma eleição dramática, a mais disputada que já houve, e seu maior legado é afirmar que a democracia nunca divide um país. Ao contrário, a democracia é o único meio pelo qual se une uma Nação. Na disputa eleitoral, apertada ou não, vence a maioria. Se isto é questionado, democracia não é mais. Aliás, foi e é para garantir o diploma da efetiva maioria eleitoral, que se criou e que se trava o segundo turno.

Apesar dos desencontros políticos e dos malfeitores que inevitáveis circulam no vácuo do ar benfazejo dos governos democráticos, voga no Brasil de hoje o esforço iniciando na primeira presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, que impõe menos privilégios aos muito poderosos, mais oportunidade à classe média e inclusão social à população mais pobre.

Por tudo isso, entendo que ao preconceito racial que rola nas chamadas redes sociais, soma-se crime de lesa pátria nessa coisa odiosa que aponta para o Nordeste e os nordestinos como “culpados” pela vitória da presidente Dilma sobre o adversário Aécio Neves.

Lamentável ter sido o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso quem puxou o cordão do preconceito, afirmando que foram os “eleitores mal informados” “das regiões mais atrasadas” que deram maioria à Dilma no primeiro turno.

Nordestino de Pernambuco, muito honrado ficaria se fosse mesmo o Nordeste o único responsável pela vitória de Dilma e do PT. Mas o fato é que a contribuição do Nordeste, mesmo determinante, é apenas parte dos votos, juntos e misturados, de todo o país, com resultado ponderado por vitórias e derrotas, maiores ou menores, de cada candidato em cada estado da Federação – incluindo aí a superioridade da votação de Dilma no estado de Aécio, oh, Minas Gerais!

Brasileiro do Acre, saúdo a união renovada que o nosso país e o nosso Estado começaram a construir nas urnas deste inesquecível domingo de outubro, reelegendo a presidenta Dilma e o governador Tião Viana.

* Gilberto Braga de Mello é jornalista e publicitário.
E-mail: [email protected]

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