Honestidade: pobreza de espírito (!?)

No Brasil, deixando de lado os demais povos, por mais otimista que sejamos não podemos contornar ou camuflar essa realidade tortuosa que reflete, em grande parte, o caráter desonesto da nossa gente. Com isenção para o povo de boa índole; brasileiros, homens e mulheres, jovens e adultos, que, ano após ano, lutam honestamente com  suas famílias, na busca do pão nosso de cada dia, sem serem devidamente remunerados pelo labor diário, ninguém mais escapa. Não há um só segmento, classe ou categoria de representação social deste país que não esteja envolvido em improbidades de toda sorte. Ultimamente, alguns advogados, por suas atitudes desonestas, têm manchado a Ordem. Além dos  causídicos, padres, pastores, professores e o cacete à quatro, que eram casos isolados em questões desonestas, agora virou rotina.

O grande paradoxo dessa questão é o fato do país possuir a notoriedade de “nação cristã”. São 123 milhões de católicos e, dizem as estatísticas, mais uma população de 42 milhões de “fiéis” evangélicos. Com tanta gente se abeberando do Evangelho do Senhor Jesus Cristo, que só ensinou o bem, não deveria haver tanta corrupção e tanta desonestidade, como há nos quadrantes da nação. Nesse caso, não é leviano deduzir que somos um país de cristãos nominais, sem nenhuma responsabilidade de colocar em prática o que aprendemos no catecismo ou, na  escola bíblica dominical. Ou, quem sabe, dizer que as igrejas tidas cristãs e seus líderes carismáticos, corromperam a mensagem do evangelho. Mensagem  que não muda jamais.

A natureza venal dessa improbidade, muito além da minha desonestidade, se revela nos vícios do poder público que, desgraçadamente, se perpetuam. P.ex: a atual legislatura municipal no país, só para falar desta, é comprovadamente uma das mais corruptas que os municípios brasileiros já abrigaram. Há milhares de processos na justiça contra improbidades na administração publica.  Incluem-se, neste sacolão, alguns “políticos renomados” envolvidos com toda sorte de fraudes,  mancomunados com gente muito boa. Seria demasiado longo, neste artigo de frases feitas, enumerar todos os tipos de falcatruas que são cometidos contra o povo.

Parece que o  mundo de hoje é o mundo dos velhacos, dos trapaceiros, dos charlatões, infiltrados em todos os segmentos da sociedade. Deste modo, estamos todos privados de fim, de unidade e de verdade. O mundo parece sem valor.  Mundo sem valor e cada vez mais distante dos  princípios e leis da lógica, como arte do pensar, que mostra que a moral visa à edificação de um “reino dos fins.”  Mundo em que a vontade legisladora de um “reino dos fins” infelizmente sucumbe diante da desonestidade dos que “edificam” na construção de um “reino dos meios”.

Que  enigma indecifrável é esse, à luz do  pensamento humano, o da desonestidade?  Qual é a origem dessa desonestidade, qual é seu fundamento? E por que o homem frauda o seu semelhante? A propósito, roubos e assaltos crescem assustadoramente. São Paulo, p.ex., acusa um crescimento, neste ano que finda, de 19%. Pelo 16º mês, nesta mega cidade, o roubo só cresce. E o que é pior: o carente está roubando de outro necessitado; o infeliz socialmente resolveu subtrair do seu chegado de infortúnio. Botijas de gás, em favelas e  Cidades do Povo, estão guardadas em quatro chaves. É pobre roubando do pobre. Sinal dos tempos! Alguém pode responder essas questões? Uma coisa é certa, essas práticas nocivas estão  inerentemente ligadas nas entranhas do próprio homem

Na Grécia antiga, o homem grego admitia que a honestidade fosse a melhor política, mas tentava  tudo antes de ser honesto. Afinal, diria Tucídides (460-396 a.C.) os homens se esforçam mais por serem tidos como inteligentes (espertos) do que como honestos, suspeitando que  no fundo a honestidade fosse pobreza de espírito.

Tal assertiva se aplica as palavras do Senhor  Jesus Cristo; “Bem aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus”. Em outras palavras: herdarão  benesses numa outra aura de vida, não nesta. Não é à toa que os os céticos zombam dessa máxima do evangelho, dizendo que a vantagem de ser honesto, é que a concorrência é pequena.

*Pesquisador  Bibliográfico em Humanidades.
E-mail: [email protected]

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