Luna e eu

Poderia ser um dos textos da dupla do filme “Marley & Eu”. Facilmente. Descreveria o que passei, o que passo e o que tenho certeza que vou passar com minha cadela, a Luna. No auge dos seus quase quatro anos de idade, ela é de uma doçura e bagunça que se confundem. Luna é uma cadela da raça labrador e dedico essas palavras especialmente a ela.

No filme, dirigido por David Frankel, parece ficção. Marley, também labrador, é conhecido pelas suas travessuras, mas também pela ingenuidade. Um labrador de 5 kg que logo se transforma em um grande cachorro de 45 kg, o que torna a casa em um caos. É cada situação que só quem cria um cachorro sabe do que estou falando. É cada história que é preciso sentar pra relatar. É uma relação quase de amor e ódio.

Luna chegou aos três meses em nossa casa. Parecia um filhote frágil e indefeso… Só no primeiro dia. Foi uma primeira noite de muita calmaria. Depois, ela mostrou a que veio. Sem dó nem piedade, destruiu tudo que fica na área de lazer. Acredite, ela é capaz de roer até as paredes da casa. Eu poderia ficar p***, mas não conseguia. Apenas sorria a cada presepada.

Certa vez, abri o portão e ela correu como se não houvesse o amanhã. Fui atrás, desesperado. Seria comum e até legal essa cena de ação, tirando o fato de estar à noite e chovendo. Quando finalmente a alcancei, ela ousou rolar pela grama, como se estivesse me chamando para brincar. Não aguentei, caí na gargalhada.

São muitos causos, são muitas histórias, muitas dores de cabeça. Mas, digo, sem titubear, Luna é como se fosse da família e é ela que alegra nossos dias tristes. Sim, porque temos dias tristes. Quando tudo parece dar errado, Luna surge com um olhar inocente para nos consolar. Ela me entende e eu entendo ela. Luna e eu. Um filme baseado em fatos reais.

* João Paulo Maia é jornalista.
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Twitter: @jpmaiaa

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