Amálgama de um ironista: no País do carnaval!

Estamos em “pleno gozo” de  mais um feriado prolongado,  favorecido pela comemoração do Reinado de Momo, festejado com o “esplendor” de sempre. O Brasil é um país brincalhão. Vivemos de farras e, quando muito, da cultura de entretenimento apelativa. Em muitos aspectos somos uma sociedade que perdeu o significado e a arte do verdadeiro lazer. Nas últimas décadas, o caráter coletivo, a ética e a consciência pública das pessoas têm sido desgastados cada vez mais pela mídia pública e a indústria do entretenimento. Então, no segundo dia deste feriadão já bate aquele tédio que termina num aborrecimento generalizado. Negar tal realidade é santa hipocrisia.

É em meio a um clima nacional de “n” desigualdades e ilícitos globalizados, que milhares de brasileiros, entorpecidos pela embriaguez dionisíaca,  vai se largar de  hoje até quarta-feira, ingrata, de cinza, do jeito que o Diabo gosta!

Por estas plagas, enquanto o carnaval “rola’ mundo a fora, vivemos a possibilidade de novas alagações e o transbordar da BR-364 pelo Rio Madeira. Nesse caso, específico, diz uma nota atribuída ao Aden Araújo, que o acreano e seus agregados ficarão sem comida. Como assim? Afinal, temos carne de vaca em abundância; farinha de Cruzeiro do Sul e; uma produção de peixe de fazer inveja aos chineses. Isso, para não citar os bichinhos de “caça”. Aliás, pergunta o índio da propaganda do P.Y: “No caminho que anda a Paca, Tatu também anda?”

Contudo, precisamos ser mais otimistas. Ri à vontade, como pede o competente jornalista político Luiz Carlos. Crica, para os amigos. Se bem que, no Brasil, quem ri por último é doido!

A propósito de otimismo, perguntei a duas senhoras “caixas” do Banco do Brasil, se conheciam ou já tinham ouvido falar em D. Hélder Câmara. Ambas, responderam que não. Não há, no mundo de hoje, constrangimento em não saber quem foi Hélder Câmara, afinal, a maioria dos jovens de Salvador/BA, não sabem quem foi Castro Alves. Ali mesmo, enquanto esperava atendimento, usando o poder de síntese, falei que quando de sua estada na França, em dias idos, na cidade de Nantes, diante duma pergunta pessimista, do tipo:

“Não creio mais que o homem seja capaz de se auto-limitar em sua volúpia de poder, de dominação, de bem estar. Já não existe paz verdadeira até mesmo no seio da família, as nações, com efeito, são conduzidas por seus interesses, principalmente as nações ricas. Diga-me, Dom Hélder, se podemos ter alguma esperança?”

O Bispo de Olinda, respondeu: “Ah, como eu gostaria de ter diante de mim, cara a cara, os que me fazem perguntas como essa! Imagino que se trate de pessoas idosas, não apenas em termos biológicos, mas no que se refira aos sentimentos e à imaginação. Os jovens, na idade e no espírito, jamais teriam dúvidas desse tipo! Ser jovem é ter razões de sobra para viver, e elas constituem a própria base  de sua esperança!”

Quanto aos idosos e fatigados, eu diria apenas: meus amigos, é provável que vocês tenham sofrido demais, hajam sido vítimas de enganos e mentiras, e por isso se vejam traídos em suas esperanças!” Enfatiza, o Santo dos Pobres. Padre Vermelho, para os senhores da famigerada Ditadura da década de 60.

Nesse caso, haja esperança para nós brasileiros, já que o pão que o pobre consegue é aquele que o “próprio diabo amassou” adquirido com muito suor e sacrifício, em meio aos apertos dos consumos pesados da luz elétrica, água potável, dos remédios caríssimos, dos meios de transportes humilhantes, etc., que se somam aos implacáveis impostos oficiais.

Por outro lado, almeja-se, e muito, que os resultados oriundos desse “folguedo” prolongado, não sejam os mesmos de sempre, com acontecimentos funestos, provenientes de bebedeiras, causando acidentes automobilísticos, assassinatos e tudo mais em mazelas sociais, já que, a safra de desgraças no âmbito social de outros carnavais, como mostram as estatísticas, são  terríveis:  mais crimes, mais destruição de lares e mais problemas psicológicos do que poderíamos imaginar.

Em todo caso, bom recesso de carnaval!

*Pesquisador  Bibliográfico em Humanidades.
E-mail: [email protected]

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