Um período tenso

Até semana passada estava tudo tranquilo. Era Carnaval. E a folia foi feita nos bairros e com desfiles de bloco. Ou, como muitos dos realizadores (de iniciativa privada, é claro, nada do setor público) gostavam de dizer: foi um Carnaval como ‘antigamente’. Não faltaram cores, fantasia, música boa, muita dança e até queda nos índices de ocorrências policiais.

Se fevereiro (e, às vezes, o princípio de março) fosse sempre assim seria uma maravilha.

Mas os problemas vêm mesmo é depois do Carnaval. E são muitos.

Sobre rio e enchentes, ninguém dizia nada. Aliás, quando o rio está dentro da normalidade antes do período carnavalesco, de fato, ninguém nem liga pra ele. Mas é só passar a folia e parece que há um tipo de ‘chama’ para os níveis do Rio Acre subirem nos municípios do Estado. Depois, é lógico, essa água sempre acaba no trecho do ‘majestoso’ que passa pela Capital.

E o que isso significa, leitor? Acertou quem respondeu alagação. Todo ano é a mesma história, só que com vítimas diferentes, dramas diferentes, histórias diferentes e até tragédias diferentes. Sim, tragédias, porque muita gente perde mais do que bens em tempos de enchentes. Muitos perdem a vida. Há muitos casos de crianças que se afogam, choques elétricos, ataques de animais. E, quando tudo passa, ainda vêm uma série de doenças que afetam os ‘alagados’.

Além de tudo isso (que já não é pouco drama), desde o ano passado os acreanos ainda começaram a sofrer um aperreio maior. Rio Madeira. Aquele mesmo que ninguém se importava por estar no Estado vizinho. No máximo, as pessoas daqui acompanhavam tal rio para ver se dava pra tomar banho em Fortaleza do Abunã ou se haveria problemas no ‘verão’ atravessar o trecho da BR-364 que só se atravessa de balsa. Hoje, o Madeira ganhou mais atenção do que o Rio Acre.

Duvida? Então pergunte a alguém que mora longe das áreas de risco para ver se eles sabem os centímetros que faltam para o Rio Acre atingir as suas cotas em Rio Branco. Agora pergunte os cm que faltam para o Madeira chegar na BR-364. Veja ainda a repercussão das consequências das cheias dos dois rios no Face ou nos grupos de zap zap, ao longo do último mês.

Mas há problema em os acreanos ficarem mais preocupadas com o Rio Madeira, ao invés do Rio Acre? Nenhum. O verdadeiro ‘X’ da questão é as pessoas se esquecerem deste sobe e desce dos rios amazônicos que todo ano é repentino e, ainda assim, parece pegar todos de surpresa. Isso é que não dá. Não vamos subestimar os rios acreanos. Nunca.

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]

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