Saudade

Hoje preciso falar da minha saudade. Quando criança, mais precisamente aos sete anos de idade, morava em uma fazenda, logo ali, na estrada de Porto Acre. Papai tinha criação de gado, peixe, capivara (isso mesmo, capivara), cavalos, galinhas. As plantações iam das goiabeiras até os canaviais de cana-de-açúcar.

Morávamos eu, papai e mamãe. Mas, a minha vontade mesmo era de morar na cidade, assim como já fazia com os estudos. Todo aquele silêncio, aquela tranquilidade me deixavam inquieta e com vontade de mudanças.

Com o passar do tempo, pouco tempo, aos dez aninhos, finalmente o meu maior sonho se tornou realidade. Viemos então ‘morar na cidade’.

Hoje, com meus vinte e quatro anos de idade, daria tudo para voltar no tempo. Ou melhor, daria tudo pra voltar a morar naquele lugar.

Saudade do ‘cheiro de terra molhada’, do caldo de cana feito na hora, do leite fresquinho. Saudade de passar horas tentando fisgar algum peixe (e quase nunca conseguir), saudade das reuniões de família, que no final de semana se transformavam em verdadeiras festas.

Saudade da minha égua Esmeralda, de cavalgar no finalzinho da tarde e sentir o vento com cheiro de mato bater no meu rosto.

Foi ali, naquele ‘grande’ pedaço de terra, que vivi os momentos mais simples e inesquecíveis da minha infância. Foi onde aprendi a ser quem sou e tive ensinamentos que levarei pelo resto da minha vida.

Saudade da época em que a minha única preocupação era estudar e tirar boas notas. De ter sempre uma boa travessura em mente e boas desculpas na ‘ponta da língua’ para se justificar.

Mas a maior saudade que guardo daquele lugar, sem dúvidas, é a paz que me trazia. A tranquilidade de poder dormir escutando o cantar dos pássaros ou só o barulho do vento batendo forte nas árvores. Nenhum barulho de carro, som ou festa indesejada. Apenas o “barulho do silêncio”.

O tempo voa. Sou quase uma “titia” nostálgica.

* Bruna Mello é jornalista
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