Decepção com a lei

A liberdade do rapaz de 20 anos, acusado de atropelar 17 pessoas em Cruzeiro do Sul, é simplesmente uma vergonha. Um exemplo da impunidade e de como leis são frouxas não só no Acre, como no Brasil. Casos como este nos faz até se sentir como ‘palhaços’ jogando limpo em uma sociedade regida por um sistema de leis que passa a mão na cabeça de pessoas inconsequentes e que deixaram de lado há tempos o limiar do que é certo e errado.

Entre as vítimas atropeladas, estavam estudantes de uma escola de Ensino Médio. Inclusive, uma delas tinha apenas um ano e sete meses de vida. Nada disso parece que foi o suficiente para manter o rapaz na cadeia. Faz até pensar: que raios de crime é necessário para que seu autor seja preso, fique preso, de fato, e depois cumpra todos os anos da pena, sem sair um ano e meio depois, beneficiado com algum tipo regime de semiliberdade?

Parece que aqui isso não existe. São raros os casos. E consequência disso é que temos um Acre que sofre de uma criminalidade cíclica. Uma criminalidade que é composta, em mais de 70%, por bandidos reincidentes. Gente que errou uma vez (ou muito mais), foi presa, não se regenerou no presídio e foi solta rapidamente. Pronta para errar e fazer tudo de novo.

Só que o pior mesmo é o exemplo. Imagine-se, leitor, como um pai. Você tem um filho que apronta algo pesado, quase fora da lei, e quer ensiná-lo a sair deste caminho ruim. Só me diga, que tipo de moral ou modelo de conduta você terá diante de uma comunidade que não consegue manter seus criminosos presos. Não dá. Neste ritmo, é questão de tempo até pais começarem a aconselhar filhos para cometer furtos, roubos, estupros, atropelamentos e até homicídios, contanto que saibam fazer suas atrocidades doentias aproveitando as milhares de ‘brechas’ da (in)Justiça.

Renan Eduardo da Silva Brito foi preso minutos depois de ter atropelado as 17 pessoas. Tudo foi feito dentro dos procedimentos da polícia. Todavia, o juiz responsável pela decisão de soltar o rapaz (e, espero que ele tenha plena ciência de que também é responsável por deixar nas ruas alguém que atropelou 17 pessoas numa tacada só) alega que o flagrante da prisão foi mal executado. O delegado do caso diz o contrário. Ou seja, cada um acredita no que quiser.

A verdade é que, muitas vezes, certos magistrados têm mais poderes do que deveriam ter. E a população deve se espelhar em atitudes como a destes estudantes de Cruzeiro do Sul que saíram às ruas em uma marcha para mostrar que não estão felizes com a nossa Justiça. Já que falam tanto em projetos de lei contra a corrupção, poderiam fazer um que penalizasse os que afrouxam as algemas de criminosos. Certamente isso daria mais sensatez antes de uma canetada.

* Tiago Martinello é jornalista.
E-mail: [email protected]

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