Experiência x reação da natureza

A população do nosso Estado ainda sofre com as consequências da maior tragédia natural já ocorrida por aqui. Em muitos lugares a água ainda é um vizinho perturbador para moradores das áreas alagadiças.

Nos municípios de Assis Brasil, Brasileia e Xapuri o cenário é de guerra. Pessoas perderam em minutos o que levaram uma vida inteira construindo. Muitas delas perderam, inclusive, a vontade de recomeçar. Não é para menos.

Quantas pessoas perderam o que tinham, por acreditar que o nível iria baixar ou que ela nunca iria tão longe. É necessário que as pessoas compreendam que quando o assunto é natureza, tudo é imprevisível. De nada vale a experiência de outras cheias. Se as ações que tanto prejudicam nosso solo e o Rio Acre combinadas com um volume a mais de chuva, quem garante que a previsão do Friale não se concretize no futuro? Aquela das águas nas escadarias do Palácio Rio Branco.

Ouvi muita gente dizendo que o Rio Acre está devolvendo o que foi e continua sendo depositado nele. Outros dizem que se não fosse o desmatamento das matas ciliares, o nível do rio certamente seria maior, já que desta vez, as águas tiveram espaço para avançar e atingir pontos pela primeira vez na história.

Outro dia conversando com o professor Claudemir Mesquita, percebi que Rio Branco possui muitas fragilidades quando o assunto são eventos naturais. Se o rio subisse mais alguns centímetros, a cidade inteira ficaria desabastecida de água potável. Já imaginou isso? Além das ruas alagadas, do caos no trânsito e da falta de energia elétrica em todos os bairros atingidos pela cheia.

Claro que ele, como estudioso, já tem algumas alternativas para evitar isso. Mas de quem será o papel de levar o projeto adiante? O nível máximo registrado foi de 18,40 metros no dia 4 de março. Atualmente, dos 53 bairros atingidos, 48 permanecem alagados mesmo com a vazante nesses últimos dias.

Mas, o que vamos aprender com toda essa tragédia e seus efeitos sentidos por todos? Além da natureza, todos nós temos nossa parcela de culpa nesse cenário. Seja por jogar um papelzinho de bombom na rua ou por não cobrar das autoridades um olhar diferenciado para as causas ambientais que vão muito além da utilização dos três R (reutilizar, reaproveitar, reciclar).

* Bruna Lopes é jornalista
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