Não existe corrupção pequena ou grande. Corrupção é corrupção

O combate à corrupção tem sido discutido desde as conversas mais informais até a produção de planos com metas e sugestões para alcançar a tão sonhada sociedade limpa. Se, por um lado, o pedido por honestidade toma as ruas desde a pressão pela aprovação da Lei da Ficha Limpa, em 2010, e, mais intensamente, a partir dos protestos de junho de 2013 e agora em 2015, por outro, cidadãos ainda encontram dificuldade de vencer seus próprios vícios.

É raro verificar alguém que nunca tenha cometido pequenos desvios de conduta no cotidiano. Como por exemplo, furar fila, comprar produtos falsificados, usando a desculpa de estarmos mais próximo dos nossos amigos patrícios. Ou ainda, quem nunca assinou o nome do coleguinha na lista de chamada da escola ou da faculdade?

Ou ainda, não declarar compras na alfândega e estacionar em local proibido. Todas as ações são tidas como corruptas, sabia? Esses comportamentos não deslegitimam o grito contra a corrupção e estão longe de ser a origem dos roubos aos cofres do governo, mas também atropelam o interesse público e mostram que o problema vai muito além dos três poderes.

Por isso, não existe corrupção pequena ou grande. Corrupção é corrupção. Apesar disso, a pequena corrupção não é a causa da grande corrupção. Mas, de pouco em pouco, pequenos desvios de conduta podem representar prejuízos robustos. Os “gatos” na rede elétrica, causam prejuízos ao sistema e ao contribuinte, claro.

A circulação em massa de carteirinhas estudantis falsas levou à mudança na legislação relacionada à meia-entrada. Fora do cinema e do teatro, as pequenas corrupções também estão dentro de casa. Do total de 22,7 milhões de domicílios com TV por assinatura, 4,2 milhões – o equivalente a 18,4% – têm ligações clandestinas. Os dados são da Associação Brasileira de Televisão por Assinatura (ABTA), em pesquisa inédita feita sobre furto de sinal.

Segundo o levantamento, possuir TV a cabo clandestina não parece uma contravenção para 38% dos clandestinos, o que torna maior o risco que este comportamento cresça.

Alguns estudiosos destacam que a corrupção não se trata de um mal exclusivo do Brasil, mas vício que ocorre em todos países, democráticos ou não.

Por aqui, o jeitinho brasileiro, ainda resolve muitos problemas. Quando não, a célebre frase “sabe com quem está falando?”, se torna meio de enfrentar essas contradições e paradoxos de modo tipicamente brasileiro.

* Bruna Lopes é jornalista
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